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Bastidores em Bissau questionam por que PR português não visita o país


Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa visita Cabo Verde e Senegal

As visitas do Presidente Português a Cabo Verde e ao Senegal estão a ter reflexo político e diplomático na Guiné-Bissau.

O motivo tem a ver com o facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter escolhido o Senegal, país vizinho, para visitar da África Ocidental, e não chegar a Guiné-Bissau, com o qual tem laços culturais e históricos.

Entretanto, um diplomata guineense disse à VOA que não seria conveniente a visita do Presidente de Portugal a Guiné-Bissau devido ao contexto político prevalecente, marcado por uma crise política que arrasta há cerca de dois anos.

“É um sinal forte de que Portugal não deve desassociar-se das posições de organizações internacionais sobre a situação política, nomeadamente, a posição conjunta da CEDEAO, CPLP, União Europeia, das Nações Unidas e da União Africana, face ao incumprimento do acordo de Conacri”, refere a fonte, segundo a qual a deslocação do Chefe de Estado português a Bissau seria, de um lado, a legitimação por parte de Portugal das actuais autoridades governamentais.

Um alto responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, que pediu o anonimato, considera que do ponto de vista político e diplomático, tal facto “representa uma prova de rejeição ao Executivo liderado por Umaro Sissoco Embalo”.

“Do ponto de vista do Parlamento, o Governo da Guiné não é legítimo eo facto de Portugal ser membro da União Europeia não pode visitar a Guiné-Bissau, sendo que seria legitimar o actual Governo, o que contraria a posição da União Europeia e da CPLP, enquanto membros destas duas comunidades, face a situação interna no país”, diz António Nhaga, director do jornal independente O Democrata e professor universitário, António Nhaga.

Para Nhaga, as visitas do Chefe de Estado português a Cabo Verde e o Senegal têm, no fundo o objectivo, não só, de fortificar os laços de cooperação com estes dois países, mas também, deverá servir de uma ocasião para falar da situação interna na Guiné-Bissau

“Acredito que ele vai falar com Maky Sall sobre a situação na Guiné-Bissau. Ele falou com o presidente de Cabo Verde que é uma voz lusófona e agora vai falar com uma voz da francofonia. A diplomacia portuguesa está em torno da questão do cumprimento do acordo de Conacri”, explica António Nhaga.

Recorde-se que Marcelo Rebelo de Sousa defendeu em Cabo Verde o cumprimento do Acordo de Conacri como saída para a crise política vigente na Guiné-Bissau.

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