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Banco Mundial reduz previsões do crescimento económico de Angola e Moçambique

  • Redacção VOA

Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial

Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial

Guiné-Bissau e Cabo Verde melhoram.

O Banco Mundial (BM)prevê que todos os países africanos de língua portuguesa vão ver as suas economias crescer este ano, mas reviu para baixo as anteriores projecções feitas para Angola e Moçambique.

Angola vai crescer apenas 0,9 por cento em 2016, contra os 2,4 por cento previstos em Janeiro, enquanto Moçambique verá o seu Produto Interno Bruto (PIB) subir 5,8 por cento contra os 6,5 por cento anunciados em Janeiro.

Para 2017, Angola deverá crescer 3,1 por cento, ao mesmo tempo que Moçambique chegará aos 7,7 por cento.

O relatório Perspectivas Económicas Globais, divulgado pelo BM na noite de terça-feira, 7, em Washington, projecta o crescimento da economia da Guiné-Bissau em 2016 para 5,7 por cento e de 6 por cento no próximo ano.

Por sua vez, a economia cabo-verdiana deverá crescer apenas em 1,5 neste ano e 1,7 por cento em 2017.

São Tomé e Príncipe não é referido no relatório.

Brasil em recessão

Uma das previsões mais negativas do BM aponta, no entanto, para o Brasil, que terá um resultado negativo de menos quatro por cento neste ano, melhorando para menos 0,2 em 2017.

A revisão em baixa das previsões de crescimento económico surge enquadrada nas alterações que o BM fez às estimativas para o resto do mundo, argumentando que o fraco crescimento das economias desenvolvidas, os baixos preços das matérias-primas e os menores fluxos de capital vão abrandar a expansão económica mundial, de 2,9 por cento previstos em Janeiro, para 2,4 por cento.

“Esse crescimento lento ressalta porque é criticamente importante que os países adoptem políticas que impulsionem o crescimento económico e melhorem as condições das pessoas que vivem em extrema pobreza”, afirmou Jim Yong Kim, presidente do Grupo Banco Mundial, para quem “o crescimento económico continua a ser o impulsionador mais importante da redução da pobreza”.

Crescimento global de 2,5 por cento

O relatório do BM prevê que o crescimento na África Subsaariana sofra retracção novamente em 2016 para 2,5 por cento, em comparação com os três por cento estimados para 2015, uma vez que os preços dos produtos básicos deverão permanecer baixos, a actividade global deverá ser fraca e as condições financeiras, restritas.

“Não se prevê que os exportadores de petróleo experimentem aumento significativo no consumo, embora uma inflação mais baixa nos países importadores de petróleo possa apoiar a despesa dos consumidores”, diz o documento que avisa que “a inflação dos preços de alimentos em consequência da seca, o alto desemprego e o efeito da desvalorização da moeda poderão anular parte desta vantagem".

O relatório Perspectivas Económicas Globais estima ainda que o aumento do investimento diminuirá em muitos países “à medida que os governos e investidores reduzam ou retardem as despesas de capital em um contexto de consolidação fiscal”.

Entre as principais economias de mercado emergentes, prevê-se que a China cresça a uma taxa de 6,7 por cento em 2016, em comparação com 6,9 por cento no ano passado.

“A robusta expansão económica da Índia deverá manter-se inalterada em 7,6 por cento, enquanto o Brasil e a Rússia deverão permanecer em recessões mais profundas do que as previsões de Janeiro”, dizem os especialistas, adiantando que a África do Sul deverá crescer a uma taxa de 0,6 por cento em 2016, ou seja, 0,8 de um ponto percentual mais lentamente do que em Janeiro.

Riscos

Nos Estados Unidos, um declínio acentuado no investimento do sector de energia e exportações mais fracas levaram à redução na previsão de crescimento em 0,8 ponto percentual, para 1,9 por cento, enquanto a zona euro registou uma ligeira queda para 1,6 por cento, apesar do apoio da política monetária e preços mais baixos das matérias primas.

O BM diz ainda que num ambiente de crescimento anémico, a economia global enfrenta riscos pronunciados, inclusive uma maior desaceleração nos principais mercados emergentes, mudanças acentuadas no sentimento do mercado financeiro, estagnação em economias avançadas, período mais longo do que o previsto de baixos preços de produtos básicos, riscos geopolíticos em diferentes partes do mundo e preocupações sobre a eficácia da política monetária em promover um crescimento mais forte.

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