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Balumuka, crónicas sobre Luanda na pena de Rúbio Praia


Rúbio Praia, jornalista angolano

Rúbio Praia, jornalista angolano

“No fundo, o que faço é chamar atenção a quem dirige Luanda para que melhore as nossas condições,” defende Rúbio Praia

Os problemas e alegrias da cidade de Luanda, seus hábitos e costumes nos últimos 10 anos estão retratados nas crónicas que Rúbio Praia junta no livro Balumuka, lançado oficialmente em finais de Junho, no Palácio de Ferro, em Luanda.

A obra encontra-se actualmente à disposição apenas na livraria Mensagem e na Biblioteca Nacional.

Nos 31 artigos publicados em vários jornais, Rúbio Praia traz várias reflexões sobre o quotidiano luandense.Transcreve a sua observação sobre os problemas sociais que o país que viveu em cerca de 30 anos de guerra e 41 de independência.

Rúbio Praia é natural de Luanda. Nasceu no antigo município do Sambizanga, hoje distrito, de acordo com a última actualização da divisão administrativa da capital angolana.

Ele conhece muito bem Luanda, cidade que quando chove dezenas de ruas se tornam intransitáveis, a velha rede de esgotos fica entupida, centenas de residências ficam inundadas, o trânsito se torna caótico e a mobilidade de pessoas e bens fica deficitária.

“No fundo, o que faço é chamar atenção a quem dirige Luanda para que melhore as nossas condições,” defende Rúbio Praia, para quem o Balumuka tem um condão social muito forte e “nós vimos quando chove em Luanda como ficamos.Seria um exercício de retórica dizer que Luanda quando chove é bonita, não é”.

Balumuka, termo de origem kimbundu, em Português significa “despertar”.

“Será que é necessário criminalizar a fuga à paternidade? E depois quem arca com as consequências?”, interroga-se o jornalista sobre os problemas de fuga à paternidade, preocupante em Angola.

Além da fuga à paternidade, o livro aborda a prostituição em Luanda.

“Sou muito cáustico quanto isto, porque a prostituição é condenável. Eu Condeno também quem fomenta a prostituição. Hoje vimos jovens que têm bens materiais porque foram aliciadas. O aliciamento também não é correcto”, diz.

Não são apenas as tristezas e amarguras de Luanda que fazem o Balumuka. As acções culturais, segundo o autor que foi coordenador da secção de cultura e sociedade do jornal Agora, também têm servido de motivos para reflectir.

Como repórter de sociedade e cultura, Rúbio Praia abordou no Balumuka temas ligados aos hábitos e costumes de Angola que vão da música à pintura, passando pelas artes cénicas.

O autor apela para que se trabalhe mais para que o país melhor a sua prestação em termos culturais, sobretudo na construção de museus, bibliotecas, casas de cultura e valorização do artista angolano.

“Temos que trabalhar afincadamente para melhorar a nossa cultura. Todos os que fazem cultura precisam de um apoio maior. A arte tem um papel fundamental, para além de educar as pessoas e elevar, a cultura é um factor de coesão e unidade nacional”, defende Praia.

Rúbio Praia é poeta, prosador e jornalista. Do seu curriculum consta o prémio Maboque de Jornalismo 2013, na categoria “Jornalista Revelação”. Tem textos publicados em diversos órgãos de informação, entre os quais o Jornal Cultura, Semanário Sol, Revista África Today, Revista Chik look, Revista Todos (editada pelo Fundo Soberano de Angola).

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