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Automobilistas queixam-se de extorsão por militares no centro de Moçambique

  • André Baptista

Alguns militares apresentam-se embriagados

Automobilistas de longo curso nas estradas outrora sujeitas a escoltas obrigatórias do exército de Moçambique nas províncias de Manica e Sofala queixam-se de frequentes extorsões por militares estatais, com uma tendência crescente desde o início da trégua.

Em várias posições ocupadas pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) nos troços Save-Muxúnguè e Nhamapadza-Caia, em Sofala, e Vanduzi-Changara, em Manica, automobilistas denunciam cobranças ilícitas de dinheiro por parte de militares do exército, supostamente para ajudar na compra de água, cigarro e ou bebidas alcoólicas.

Na semana passada, um militar armado, supostamente embriagado, morreu atropelado quando tentava à meia-noite parar um camião de carga na nacional número um (N1), no distrito de Machanga, uma zona onde ocorriam com frequência os ataques armados atribuídos à Renamo.

Em declarações à VOA, vários automobilistas admitem ter sido parados por militares armados que pediram dinheiro e relatam ter sido ameaçados quando resistiram às cobranças, que consideram injustas e ilícitas.

“Isso é um sinal de perigo para nós, para quem vem te pedir água e está num estado de embriaguês com uma arma”, frisou um automobilista, corroborado por outro que afirma que “a extorsão na via pública continua, sendo que mandam-nos parar e pedem água, cigarro, dinheiro e crédito (recargas de telemóveis), e isso se repete em várias posições num troço”.

A porta-voz do comando da Polícia de Sofala, Sididi Paulo, não confirmou a prática de extorsão nas estradas, mas admitiu o atropelo mortal de um militar na N1, quando tentava parar um camião de carga a meia noite.

“Confirmamos sim o atropelamento que aconteceu no distrito de Machanga, mas o motorista o socorreu mas chegou sem vida ao hospital”, aclarou Sididi Paulo.

Os automobilistas querem disciplina nos militares e pedem a sua retirada nas estradas visto que o país observa o quarto período da trégua de 60 dias, declarado pelo líder da Renamo, Afonso Dhlakama, dando fim às hostilidades militares na região centro de Moçambique.

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