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Aumenta xenofobia na África do Sul

  • Simião Pongoane

Dez estrangeiros já morreram este ano frente ao silêncio das autoridades.

Manifestações de xenofobia contra estrangeiros aumentam sete anos depois da violência registada em 2008, que matou mais de 60 cidadãos estrangeiros, incluindo moçambicanos, na Africa do Sul.

Desde Janeiro, mais de 10 cidadãos estrangeiros foram mortos, alguns à queima-roupa, em alguns bairros das grandes cidades sul-africanas e os seus negócios pilhados e ocupados por sul-africanos.

No entanto, ninguém foi detido pela polícia.

O Governo sul-africano evita falar publicamente de xenofobia, dizendo que os ataques contra estrangeiros são pura criminalidade.

As principais vítimas são somalis, paquistaneses e cidadãos do Bangladesh.

Entretanto, na província do Limpopo, que faz limite com Moçambique no extremo Nordeste, houve zimbabueanos assassinados e feridos.

As manifestações contra estrangeiros são encorajadas por alguns lideres comunitários que consideram que os locais estão a perder terreno no negócio informal.

Por enquanto, lideres das comunidades moçambicanas consideram que a situação está sob controlo, segundo Suleimane Gulamo, líder da comunidade moçambicana em Gauteng, centro económico-industrial da Africa do Sul.

“Todas as entidades policiais, incluindo a inteligência, estão nos bairros para tentarem acalmar a situação que está controlada”, explica Gulamo, reconhecendo o estado de tensão prevalecente.

Nas províncias de Kwazulu-Natal e Free State, cujas capitais são Durban e Bloemfontein, respectivamente as comunidades moçambicanas ainda estão em paz com os locais, como explica Olga Sambo, Cônsul de Moçambique em Durban.

“Em Kwazulu-Natal, temos 22 mil moçambicanos e em Free State cerca 3.500. São estimativas, não temos números exactos. Felizmente até aqui não houve indicação de ataques ou qualquer outro tratamento desagradável em relação à nossa comunidade, mas estamos atentos a isso”, disse Olga Sambo.

Mais de um milhão de moçambicanos vivem na África do Sul, sendo cerca de 50 mil trabalhadores mineiros e outros em fazendas.

A maioria trabalha no sector informal da economia mais industrializada do continente africano.

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