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Ásia: Preços dos produtos alimentares disparam


A Indonésia é um dos principais produtores de arroz da Ásia

A Indonésia é um dos principais produtores de arroz da Ásia

Os pobres, que gastam quase 70 por cento do seu rendimento em comida, são os mais afectados pela inflação

A Organização da ONU para a Agricultura (FAO) apelou à comunidade internacional cooperação para fazer face ao aumento dos preços dos produtos alimentares na Ásia. Segundo a FAO, o custo de alguns produtos atingiu o seu preço mais alto de sempre, sendo necessárias medidas para proteger os pobres e evitar que os preços fiquem fora de controlo.

Dados da ONU mostram que o custo dos produtos alimentares atingiram, em Fevereiro, um valor recorde, anunciou, na quarta-feira, em Banguecoque, a FAO, notando que no Bangladesh, o arroz, que é o produto alimentar de base, aumentou 33 por cento em relação ao ano passado e, na China e na Indonésia, 23 por cento durante o mesmo período.

Representantes de 20 países asiáticos, de organizações internacionais, dos EUA e do Japão reuniram-se em Banguecoque, na quarta-feira, para debater o crescente aumento do preço dos produtos alimentares. Esta conferência de dois dias foi a primeira de uma série que a FAO está a organizar em todo o mundo para debater a questão da segurança alimentar.

Os delegados foram informados de que o custo do arroz tem tendência para estabilizar este ano, porque os principais produtores da região – a Tailândia e o Vietname – estão a ter boas colheitas. Mas, os responsáveis da FAO advertem que o aumento dos preços dos combustíveis podem fazer aumentar ainda mais.

Hiroyuki Konuma é o representante da FAO para a Ásia-Pacífico. Diz ele que os pobres da Ásia, que gastam quase 70 por cento do seu rendimento em comida, são os mais afectados pela inflação.

Diz Konuma: “Recordar-se-ão que a combinação do custo da alimentação com a crise económica de 2008-2009, criaram um número adicional de cem milhões de casos de fome crónica. Estamos a enfrentar um potencial risco de um similar retrocesso neste momento, devido à alta volatilidade dos preços dos produtos alimentares.”

Os aumentos dos preços da alimentação em 2007 e 2008 levaram alguns países da região a armazenar comida e a proibir temporariamente a exportação de cereais. O preço do arroz aumentou rapidamente para o dobro.

A Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a China, o Japão e a Coreia do Sul estão, este ano, a estabelecer uma reserva estratégica de arroz para emergências. E a Associação para a Cooperação Regional da Ásia do Sul anunciou que duplicou as suas reservas alimentares desde o ano passado e tem planos para abrir um banco regional de sementes.

Konuma afirma ainda que para evitar o aumento drástico dos preços a longo prazo, os governos e as organizações multilaterais têm que aumentar o investimento na agricultura e na produção alimentar que ele próprio considera estar a ser negligenciada.

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