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Zimbabué: Eleições no próximo ano podem minar a estabilidade política


Zimbabué: Eleições no próximo ano podem minar a estabilidade política

Zimbabué: Eleições no próximo ano podem minar a estabilidade política

Recentes declarações da ZANU-PF e do MDC defendendo a realização de eleições coloca o país novamente na incerteza

Washington, 23 Dez - O Zimbabué parece estar em vias de retorno a crise política com as declarações do início deste mês sobre as eleições durante uma conferência do partido presidencial ZANU-PF.

A maioria dos zimbabueanos diz não querer eleições no próximo ano, por receio de piorar a actual estabilidade política e progresso económico do governo de unidade nacional.

O Robert Mugabe e o Primeiro-ministro Morgan Tsvangirai do Movimento Democrático para a Mudança, tem vindo a analisar as possibilidades para a realização de eleições, durante este mês de Dezembro.

Contudo as conversas de rua em Harare são muito diferente das declarações que chegam dos líderes políticos.

Blessings Sibanda, trabalhador de uma companhia de insumos agrícola, diz o ano de 2010 ainda não foi o melhor, desde o inicio da crise política e económica há uma década.

“Assistimos uma ligeira melhoria, com o aumento das capacidades do governo que entretanto adiou para o próximo ano o aumento dos salários, o que significa que a período das festas vai ser mais alegre.”

Sibanda diz que com a aplicação das medidas de estabilidade económica muitas pessoas dispõe actualmente de mais rendimentos e poderão comprar mais prendas, especialmente comida, para os seus familiares durante a época festiva. Quanto as eleições tanto Sibanda como outros dizem ser preocupantes.

“Vai ser aborrecido, logo depois a esta época festiva ir as eleições, e isto pode fazer perder os benefícios obtidos com esta estabilização.”

No inicio deste ano o Primeiro-ministro Morgan Tsvangirai e o presidente Robert Mugabe pareciam mais cordiais em relação ao presente.

No mês de Setembro em Joanesburgo, Tsvangirai tornou publico as suas frustrações no governo de unidade nacional, mas ressaltou que a situação era bem melhor em comparação do período antes da entrada em funções do seu governo.

O primeiro-ministro tornou-se mais ríspido quando o presidente Mugabe nomeou para altos cargos do Estado, vários membros do seu partido a ZANU-PF, em vez dos do MDC, como descrito no acordo político de partilha de poder.

Mais agravante ainda que a atribuição desses cargos, é a ausência de progressos na reforma eleitoral e melhor governação, isto na perspectiva de muitos analistas políticos.

Eldred Masunungure é professor de ciências políticas na Universidade do Zimbabue.

“Posso dizer que o governo de coligação está num estado perigoso e o casamento ente o antigo regime da ZANU-PF e os seus parceiros da coligação, as duas facções do MDC, está chegar a um momento irreversível de erupção.”

Tsvangirai terminou o ano falar de eleições. Disse pretender a segunda volta das presidenciais porque foi realizada sob um clima de violência durante as ultimas eleições de 2008.

A realização de eleições poderá entretanto significar o fim do governo de unidade nacional.

Entretanto os aliados de Mugabe estão a fazer de tudo para preservarem o seu poder económico e de influência política. Ministros da ZANU-PF no actual governo fizeram adoptar uma controversa lei no inicio deste ano impondo que nas empresas nacionais de mais de meio milhão de dólares de capital social, os negros zimbabueanos devem ter a maioria das acções. Na altura e por causa de contestações do MDC a lei foi revogada, mas está a ser ressuscitada através de ameaças dos líderes da ZANU-PF.

Numa recente conferencia do Partido de Robert Mugabe, o presidente relacionou a questão racial as sanções impostas pelos Estados Unidos e União Europeia contra os dirigentes da ZANU-PF.

E apesar das ameaças de Mugabe tendo como pano de fundo o racismo e nacionalismo, o governo de unidade nacional conseguiu vender para estrangeiros 53 por cento das acções da companhia nacional de ferro e aço.

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral – SADC – que mediou e conseguiu a implementação do acordo de unidade nacional, não comentou até ao momento as declarações tanto de Tsvangirai como Mugabe sobre a realização das eleições. A SADC indicou no mês passado que iria organizar uma reunião em Janeiro para debater o progresso do governo de unidade nacional na implementação do acordo político que conduziu a sua criação.

O governo de unidade nacional do Zimbabué não tem limites de anos de mandato, mas a constituição diz que as eleições devem ser realizadas de cinco em cinco anos, ou seja, o mais tardar até Março de 2013.

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