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Congo Kinshasa a viver momentos de incerteza


Joseph Kabila enfrenta a sua primeira prova de fogo pos-eleitoral, com o líder da opsição a ser paralelamente auto-investido como presidente

Joseph Kabila enfrenta a sua primeira prova de fogo pos-eleitoral, com o líder da opsição a ser paralelamente auto-investido como presidente

Líder oposição desafia o poder com uma cerimônia de investidura em pleno coração de Kinshasa

Uma profunda incerterza paira sobre a capital da República Democrática do Congo, onde o líder da oposição Etienne Tshisekedi deverá auto-proclamar-se presidente da república amanhã Sexta-feira.

O presidente reeleito Joseph Kabila tomou posse há dois dias, e há receios que o desafio do líder da oposição acabe em violência.

O presidente do Zimbabue Robert Mugabe foi um dos poucos dignitários presentes na cerimônia de posse para mais um mandato de 5 anos de Joseph Kabila, ocorrida na Terça-feira do palácio presidencial de Kinshasa.

No seu discurso o presidente Kabila prometeu defender a unidade nacional, criar mais empregos, construir centrais eléctricas, aumentar a produção agricola e rever acordos de exploração de minas.

Contudo o antigo primeiro-ministro e líder da oposição, Etienne Tshikedi que também se declarou vencedor das eleições presidenciais do mês passado, anunciou para amanhã Sexta-feira a cerimonia de sua investidura a ter lugar no Estádio dos Mártires em Kinshasa. Tshisekedi apelou aos elementos das forças de segurança e civis a submeterem-se as suas ordens, como o real vencedor das eleições.

Os resultados oficiais da votação colocaram-no na segunda posição com cerca de 32 por cento dos votos e o presidente Kabila com 49 por cento, num processo altamente contestado. Observadores do Centro Carter qualificaram as eleições de defeituosas e sem credibilidade.

Laura Seay uma especialista do Congo e autora de um livro em preparação sobre as fragilidades do governo congoles na regiao leste do país, receia do que poderá vir a acontecer em Kinshasa.

“As pessoas foram proíbidas de participarem em protestos, mesmo pacíficos, e quando não o podem fazer, sabe-se o que as vezes elas sentem, e não têm outra alternativa senão a da violencia. A maior preocupação agora é se vai haver o recurso a violencia ou uma resposta violenta das forças de segurança governamentais.”

Etienne Tshisekedi apelou igualmente a captura do presidente Joseph Kabila. Laura Seay diz não acreditar que o governo do presidente reeleito o venha a deter o líder da oposição.

Entretanto um activista congolês a residir aqui nos Estados Unidos, Kambale Musavali e porta-voz da organização “Irmãos do Congo” não acredita na vitória do presidente Kabila.

Ele está a apoiar na realização de protestos fora do país, incluindo aqui em Washington e em Nova Iorque, de forma a coincidir com o protesto anunciado por Etienne Tshisekedi.

“É preciso haver o respeito da democracia no Congo, dos direitos humanos e da vontade do povo congolês. É uma simbólica marcha e protesto em solidariedade com o povo no interior do Congo. E os congoleses no estrangeiro estão igualmente mobilizados para a mesma causa.”

O presidente Joseph Kabila subiu ao poder em 2001 pouco depois do assassinio do seu pai Laurent Desire Kabila um antigo rebelde que pôs fim ao regime do então presidente Moboutu Sesse Seku.

Nas eleições de 2006 cuja organização foi apoiada pelas Nações Unidas, Etienne Thsikedi tinha boicotado o acto sob alegações de fraude. Na ocasião Joseph Kabila tinha derrotado na segunda volta o antigo líder rebelde Jean-Pierre Bemba, este último a ser julgado por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional das Nações Unidas.

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