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Zimbabue: Recuperação económica adiada por falta de investimentos


Zimbabue: Recuperação económica adiada por falta de investimentos

Zimbabue: Recuperação económica adiada por falta de investimentos

Política tributária do governo de unidade nacional trouxe melhoria mas o sector indústrial precisa de novas injecções de capitais

Washington, 07 Dez - No Zimbabwe, quase dois anos depois da entrada em função do governo de unidade nacional, a economia continua em crise marcada pela decadência do sector industrial e o desemprego galopante.

Uma realidade que vai persistir por causa do fraco interesse de investidores estrangeiros e de assistência financeira internacional.

O Fundo Monetário Internacional anunciou na semana passada que a situação política no Zimbabwe continua insustentável aos olhos dos doadores internacionais que devem avalisar novas ajudas financeiras ao país.

O FMI adianta contudo, que sem esta ajuda internacional a economia zimbabueana parece condenada.

O declínio económico do Zimbabwe teve o início em 2000 quando o presidente Mugabe lançou um caótico e violento programa de reforma agrária. A crise ganhou dimensão em 2007 quando o então governo da ZANU-PF impôs o controlo dos preços dos produtos, obrigando as empresas a venderem os bens de primeira necessidade bem abaixo do custo de produção. Isso enquanto o Banco Central ia cunhando toneladas de dólares zimbabueanos e a inflação atingia o seu recorde mundial.

Com a subida ao poder do governo de unidade nacional em Fevereiro de 2009, o dólar zimbabueano foi abandonado e o país adoptou duras política monetárias, através de moedas estrangeiras como o Rand sul-africano e o Dólar americano.

Foi o regresso da estabilidade a economia, mas o economista zimbabueano Rob Davies diz que o sector industrial tem poucas chances de recuperação.

“O sector industrial, particularmente depois da melhoria suscitada pela dolarização e o fim da política de controlo dos preços, está a lidar com um parque industrial antigo e desusado, e isso é muito difícil para a recapitalização, e para a obtenção de empréstimos a longo prazo.”

Davies diz existir maiores desafios, os quais tem enfrentado o ministro das finanças Tendai Biti, um dos membros do MDC - Movimento para a Mudança Democrática.

John Robertson, um outro economista tem também pouca esperança na economia, isto apesar do marcante trabalho do governo no melhoramento das cobranças dos impostos.

“Não temos sido capazes de obter empréstimos internacionais, porque estamos ainda e profundamente endividados e são sete bilhões de dólares de serviços de dívidas em atraso, quase o dobro do produto interno bruto. Por isso as nossas referencias de bom pagado são más, e penso que uma das piores do mundo.”

Robertson adiantou que a maior actividade económica no Zimbabué é a venda de produtos importados nos mercados retalhista.

O Movimento para a Mudança Democrática controla os ministérios sociais e o das finanças no governo de unidade nacional e a maioria dos economistas afirmam que o ministro Tendai Biti das finanças tem feito o seu melhor com os recursos limitados na proficiente política de tributação.

Muitas pessoas receiam agora que as novas eleições tragam de novo a violência que marcou as eleições de 2008, quando 180 apoiantes do Movimento para a Mudança Democrática foram mortos e dezenas de milhares de outros feridos e forçados a fugir do país ou simplesmente das suas casas.

Os industriais disseram ao vice-presidente da ZANU-PF, Joyce Mujuru na semana passada que a economia é ainda frágil para suportar uma nova violência eleitoral.

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