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Costa do Marfim: Recolher Obrigatório Após Eleições

  • Paulo Faria

Costa do Marfim: Recolher Obrigatório Após Eleições

Costa do Marfim: Recolher Obrigatório Após Eleições

O presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, anunciou que irá haver um recolher obrigatório após a segunda volta das eleições presidenciais no domingo para evitar violência pós-eleitoral.

O presidente Laurent Gbagbo e o antigo primeiro-ministro Alassane Ouattara encontram-se na recta final das suas respectivas campanhas eleitorais. Sábado, véspera das eleições, será dia de reflexão.

O presidente Gbagbo anunciou um recolher obrigatório após as eleições. Num debate televisivo na quinta-feira à noite, Gbagbo anunciou que depois das 10 horas da noite de domingo, a Policia irá limpar as ruas para que não haja violência e nenhuma interferência com a transmissão dos boletins de voto para a comissão eleitoral.

Nesse debate, Gbagbo responsabilizou Ouattara pela contínua instabilidade do país:

Em Agosto de 2002, o presidente Gbagbo disse que Ouattara ameaçou tornar o país ingovernável. Gbagbo disse não gostar de lembrar isso, não como presidente, mas porque não trouxe segurança à Costa do Marfim. Acrescentou que Ouattara é responsável por toda a instabilidade no país entre 1999 e hoje:

Outtara afirmou por sua vez que é fácil acusar alguém sem provas ou investigação. Na altura do golpe de estado de 2002, disse que o presidente Gbagbo chamou a isso uma oportunidade para a democracia. Quando o presidente Gbagbo regressou de Libreville, foi escoltado por soldados através da cidade de Bouaké. Ainda assim, Ouattara afirmou nunca ter acusado o presidente de ser responsável por aquela instabilidade.

Como antigo economista, Ouattara disse que os votantes podem confiar nele para canalizar mais investimento estrangeiro para a Costa do Marfim. O presidente Gbagbo afirmou que as pessoas não estão necessariamente à procura de um bom economista. Grandes líderes, disse, devem saber como conduzir um estado.

Estas eleições presidenciais destinam-se a reunir o país depois de uma breve guerra civil que dividiu o norte do sul. Mas a campanha eleitoral reavivou muitas das divisões invisíveis entre as duas regiões.

Ouattara ficou atrás do presidente Gbagbo na primeira volta pelo que para vencer no domingo precisa dos votos de outras regiões do país para acrescentar à sua tradicional base de apoio no norte. Ouattara está a contar com o apoio do terceiro classificado, o antigo presidente Henri Konan Bedié, para vencer a votação étnica Baoule nas regiões centrais da Costa do Marfim.

O presidente Gbagbo está a fazer campanha por esses votos Baoule ao continuar a responsabilizar Ouattara pela violência passada e fazendo levantar dúvidas em alguns votantes sobre a nacionalidade do antigo primeiro-ministro. Muitas pessoas do norte da Costa do Marfim são descendentes de emigrantes do Burkina Faso e do Mali.

Entretanto, as Nações Unidas apelaram aos dois candidatos para refrearem de declarar vitória até serem anunciados formalmente os resultados finais da eleição. Os primeiros resultados são esperados no final de Domingo.

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