Links de Acesso

Hospital Simão Mendes é um pesadelo em Bissau


Hospital Simão Mendes, Bissau ( foto de arquivo)

Hospital Simão Mendes, Bissau ( foto de arquivo)

Obras de reabilitação começaram, mas há carências e maus tratos; doentes não se queixam com medo de represálias

Representa a maior unidade hospitalar da Guiné-Bissau. Construído desde a época colonial, o Hospital Nacional “Simão Mendes” assume um papel de referência para os guineenses. Mas, as respostas têm sido a quem do desejado. De falta de meios, passando pela insuficiência dos técnicos, em quantidade e qualidade de referência, são característicos do “Simão Mendes”.

Simão Mendes”, situado no coração da capital guineense, dispõe de quatrocentas e dezassete camas de internamento para 21 serviços de especialidades. A maternidade, pediatria, oftalmologia, radiologia, laboratório, são os mais importantes serviços deste estabelecimento sanitário que, actualmente, conta com 41 médicos e 82 enfermeiros para, em média, atender diariamente centenas de pacientes. O cenário é algo difícil e a mistura de um atendimento reprovável por parte de alguns técnicos sanitários.

As práticas são frequentes. Uma situação que tem convidado ao recem demitido Director do “Simão Mendes”, Agostinho Semedo, sempre a recorrer as medidas punitivas.

Mesmo assim, por se temerem das prováveis represálias, as denúncias dos pacientes e familiares acompanhantes têm sido diminutas, se se levar em conta os actos que ocorrem, de minuto a minuto, no Hospital Nacional “Simão Mendes”. Uma pratica que merece o combate aberto e ferrenho dos responsáveis máximos do “Simão Mendes”.

Recentemente a ONG Espanhola, denominada Pueblo em Marcha, advogou o enceramento da maior Unidade Hospital da Guiné-Bissau, alegando não ter condições sanitárias para funcionar. Posição então considerada de ridícula pelas instancias máximas do hospital.

Mas, a guerra já foi ultrapassada, tanto assim que a ONG Pueblo Marcha voltou ao “Simão Mendes”, mediante uma profunda reestruturação da maior Unidade Hospitalar do país, protagonizada pelo Ministério da Saúde Publica.

“Simão Mendes” quase que abrolhava pela costura. O espaço disponível não suportava o número dos pacientes que ai são internados, obrigando em muitos casos, os doentes a partilharem a mesma cama. Face a situação, no financiamento do Banco Africano de Desenvolvimento, foram construídos mais quatro blocos, juntando a reabilitação da pediatria. As obras quase que já terminaram.

Se as instalações estão a ser melhoradas, pelo que constatamos, haverá ainda mais equipamentos para especialidades disponíveis, como forma de diminuir as juntas médicas, sobretudo para Portugal, para onde muitos doentes são evacuados, no âmbito do acordo existente entre Bissau e Lisboa. O paciente sujeito a evacuação, em maioria de casos, é ele que custa a sua passagem, tanto mais que deve, ele o paciente, ter pessoa encarregada no país de destino para a concessão de visto ou a própria junta medica.

Na maternidade, em particular, o contexto é indescritível. Chega-se altura em que as grávidas partilham uma cama de apenas alguns centímetros. As parturientes, de ponto de vista ético, ficam a quem do desejado. Não só porque chegam tarde ao hospital, a verdade é que muitas grávidas acabam por morrer por falta de atendimento atempado.

XS
SM
MD
LG