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Transformar o Solo Ressequido e Sem Nutrientes em Solo Fértil

  • Paulo Oliveira

Transformar o Solo Ressequido e Sem Nutrientes em Solo Fértil

Transformar o Solo Ressequido e Sem Nutrientes em Solo Fértil

Na altura em que especialistas se reúnem em Haia para a Conferencia sobre Agricultura, a Segurança Alimentar e a Alteração Climática, a principal preocupação em relação a África reside na importância dos solos do continente.

Os especialistas divergem sobre a melhor forma de transformar o solo com frequência ressequido e sem nutrientes em solo fértil, mas existe acordo generalizado em que se trata de um assunto que necessita de ser resolvido.

O director do programa sobre Agricultura Tropical e o Ambiente Rural da Universidade de Columbia, Pedro Sanchez, sustenta que parece agora óbvio que o solo não era considerado uma prioridade.

“Em África, ninguém há dez anos atrás prestava atenção a isto. Toda a gente pensava que outros problemas eram mais importantes, como os problemas da corrupção, da governação, da posse da terra e depois, agronomicamente falando a necessidade de melhorar as variedades das plantas.”

Sanchez considera que o uso de fertilizantes é essencial para a renovação dos solos.

“A melhor forma reside na aplicação de fertilizantes de nitrogénio e de fósforo em locais que são deficientes nestes compostos, e a partir daí iniciar culturas triplas como o milho, o sorgo ou a cassava.”

Shannon Horst é a co fundadora do Instituto Savory, sediado nos Estados Unidos, uma organização não governamental que trabalha na recuperação mundial das terras com ervas e da biodiversidade. Segundo ela continua a existir demasiada ênfase na produção a curto prazo e nas soluções tecnológicas.

“Necessitamos de centrar a atenção nos solos e na saúde dos solos e muitas das coisas em que temos centrado as atenções como a manipulação das sementes, a manipulação dos fertilizantes ou criação das monoculturas. A maioria destas práticas não resulta na produção de solos saudáveis.”

Shanon Horst refere que programas centrados nas culturas de curto prazo, o solo continua a não conseguir reter a água o que leva a cada vez maiores secas, aumentando a possibilidade de inundações quando da queda das chuvas.

Horst acredita que devem ser mantidas as práticas de pastorícia tradicional, com grandes manadas de animais a comerem ervas deixando estrume, criando terrenos mais saudáveis.

Sanchez aponta, por seu lado, o caso do Malawi, em que a utilização agressiva de fertilizantes fez evoluir um país dependente da assistência alimentar do exterior, para uma nação exportadora de alimentos.

Para Sanchez o que ocorre nesta perspectiva é que as raízes e os resíduos das culturas decompõem-se recuperando naturalmente os solos.

Sanchez gostaria de ver o modelo do Malawi duplicado noutras áreas.

“Isto deve ser dimensionado noutros locais pelos governos, pelos próprios agricultores, pelas agências de ajuda internacional”.

Para ajudar neste debate, o Serviço de Informação sobre os Solos Africanos, instituído pela Fundação Bill e Melinda Gates, está a trabalhar no sentido de disponibilizar aos agricultores do continente o mapa digital dos solos, para que possam tomar decisões baseadas nos dados disponíveis e fazerem comparações.

Os especialistas estão de acordo em que a tendência de alugar a governos e empresas estrangeiras grandes parcelas de terreno vai afectar o debate sobre como melhor reabilitar os solos do continente Africano.

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