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Zimbabué Divide "Processo de Kimberley"

  • Eduardo Ferro

Zimbabué Divide "Processo de Kimberley"

Zimbabué Divide "Processo de Kimberley"

A questão dos diamantes do Zimbabué está a ser alvo de intenso debate numa reunião do Processo de Certificação de Kimberley a decorrer em Israel.

A questão dos diamantes do Zimbabué está a ser alvo de intenso debate numa reunião do Processo de Certificação de Kimberley a decorrer em Israel. Os activistas opõem-se à certificação daqueles diamantes por causa das violações dos direitos humanos. Contudo alguns membros da organização afirmam que há indícios de que a segurança e o respeito pelos direitos humanos têm vindo a melhorar nos campos diamantíferos zimbabueanos.
Os representantes de mais de 40 países subscritores do Processo de Kimberley que deram hoje inicio em Jerusalém a uma reunião de 4 dias, encontram-se profundamente divididos acerca dos controversos diamantes da zona de Marange no sudeste do Zimbabué.
O Processo de Kimberley foi constituído há sete anos atrás pelos países produtores de diamantes para impedir que a venda de pedras preciosas servisse para financiar guerras e violações dos direitos humanos.
A organização decidiu proibir a venda de diamantes de Marange há dois anos depois de terem surgido notícias de graves violações dos direitos humanos no Zimbabué. Há 10 semanas atrás foi enviada uma segunda equipa ao local que inspeccionou as condições nos campos diamantíferos daquela região deslocando-se também a Moçambique, país para onde alguns diamantes teriam sido contrabandeados.
A equipa regressou profundamente dividida acerca da certificação dos diamantes zimbabueanos. Os delegados dos Estados Unidos e da Austrália querem adiar essa certificação.
Contudo, a maioria dos delegados de África e também de Israel, afirmaram que as condições melhoraram significativamente no ano passado acrescentando que elas não são piores do que em muitos outros países em desenvolvimento.
O Processo e Kimberley permitiu a realização de dois leilões de diamantes de Marange em Agosto e Setembro em Harare. O ministro das finanças do Zimbabué, Tendai Biti, afirma que as pedras de Marange não são diamante de sangue, acrescentando que era melhor para o tesouro zimbabueano ganhar algum dinheiro da exportação legal do que nada ganhar com diamante contrabandeados.
Actualmente 3 companhias estão a extrair diamantes em Marange. Duas delas estão ligadas ao partido ZANU-PF do presidente Robert Mugabe contando com financiamento sul-africano. A terceira é uma recém formada companhia chinesa.
No momento em que a reunião do Processo de Kimberley começava em Jerusalém, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch apelou para a proibição das vendas de diamantes de Marange. Segundo aquela organização o exército e a polícia recorreram a força excessiva para controlar os campos diamantíferos. Afirma igualmente que os rendimentos dos diamantes de Marange servem para apoiar dirigentes da ZANU-PF e de elementos dos serviços de segurança.

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