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EUA: As virtudes das sondagens de opinião nas eleições intercalares


Elections. Nov. 2010

Elections. Nov. 2010

Análise ao papel da imprensa na cobertura das eleições

A multiplicidade de sondagens e de artigos de opiniões sobre estas eleições acabaram por reflectir p’ra que lado, pareciam pender os demais órgãos de imprensa.

Mas mais do que um simples reflexo de simpatia política, esses artigos criaram oportunidades para um debate multifacético sobre a pluralidade de opinião e os desafios do jornalismo em tempo de eleições.

Numa democracia onde a imprensa é poderosa e omnipresente, a livre opinião acaba por ser a chave de toda a orientação política.

E quem fala de opinião, refere as sondagens, debates, crónicas, artigos de análise e ultimamente aos blogues. Uma pratica quotidiana com altos e baixos e que mais uma vez se viu perante as suas contrariedades em tempo de eleições.

A multiplicação e frequência das sondagens de opinião estão entre os alguns dos factores que concorrem para uma ma visão ao trabalho da imprensa.

Críticos consideram que para além de desvirtuarem o sentido estrito da política, as sondagens passaram a inscrever-se no chamado processo de comunicação política, onde em vez dos actores responderem as questões políticas, são obrigados a fazer o jogo de comunicação.

Kevin Costa é politólogo e académico na Universidade de Boston.

“A sondagem tem a sua importância, mas sempre repeti-la deixa a ideia de que a eleição é como se fosse uma corrida em que se destacam quem vai ganhar e quem está a frente. Por causa disso, há pessoas que ficam com a sensação que a eleição já terminou e que a sondagem é que determina a eleição.”

Alem das sondagens, a imprensa americana parece ter feito a unanimidade nos títulos que corroboraram a ideia de uma anunciada vitoria dos Republicanos nestas eleições. E embora a uniformização de informação seja a regra consequente do jornalismo em sociedades plurais, a unanimidade da opinião pode ser um risco de excesso, dizem os críticos. Alem disso, os jornalistas são acusados de falta de profundidade nos debates políticos. Kevin Costa prossegue:

“A falta de analise sobre grandes questões as vezes é clara. Nos grandes canais de televisão os jornalistas têm medo em intervir para colocar questões de fundo sobre a economia e a guerra. E claro que é uma generalização, que pode ser resultado dos limites da própria televisão e a própria competição entre as diversas campainhas de televisão.”

No fundo a pluralidade de opinião durante esse processo eleitoral reflectiu não apenas a competição entre os demais órgãos de imprensa através do recurso as sondagens como também a títulos provocativos.

O estímulo da emoção é um outro factor importante, e as vezes ilustrado em spots de campanha onde as mensagens políticas ficaram reduzidas a menos de um minuto de intervenção.

Para Kevin Costa todas essas dinâmicas associadas as novas tecnologias de informação, colocam um serio desafio ao papel do jornalista.

“As vezes o estimulo da emoção é mais lucrativo do que estimular analises dos factores e de grandes questões importantes e com mais profundidade. E claro que as novas tecnologias estão a bulir com as distinções de que e jornalista e quem não é.”

Kevin Costa politólogo e académico americano sobre o papel da imprensa na cobertura das eleições intercalares americanas. O nosso interlocutor abordou entre outros a proliferação das sondagens na determinação da afirmação política e no processo de votação, e os desafios da imprensa perante as novas tecnologias de informação e comunicação.

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