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Uganda: Amnistia Internacional condena repressão de opositores políticos


Líder da oposição do Uganda, Kizza Besigye e seus apoiantes cercados pela polícia - Outubro 2011

Líder da oposição do Uganda, Kizza Besigye e seus apoiantes cercados pela polícia - Outubro 2011

Relatório da Amnistia Internacional descreve as acções do governo como repressivas e contesta a falta de provas das acusações

A Amnistia Internacional condenou o aumento de perseguições do governo do Uganda contra os dissidentes políticos.

A correspondente da VOA em Kampala, Hilary Heuler diz que a condenação surge dia depois do líder da oposição, Kizza Besigye ter sido novamente preso pela polícia.

A Amnistia Internacional considerou de “repressiva” a maneira como o governo ugandês tem tratado os opositores políticos.

A Organização com sede em Londres publicou hoje um relatório dando destaque ao tratamento em que foi submetido o líder da oposição e ex-candidato as eleições presidenciais, Kizza Besigye.

A polícia ugandesa espancou e lançou gás lacrimogéneo contra Besigye, quando este último participou num movimento de protesto denominado de “Caminhada pelo Trabalho” durante a primavera. No mês passado, quando foram retomadas as manifestações contra a subida dos preços e a corrupção, Besigye foi submetido a quase uma semana de prisão domiciliária, sem ordem oficial.

Besigye foi preso novamente e durante 9 horas esta Segunda-feira, numa acção denominada pela polícia de “privão preventiva”. Vários outros organizadores de protestos têm sido detidos e acusados de traição. Muito deles correm risco de pena penas de morte se vierem a ser condenados.

Godfrey Odongo é autor do relatório da Amnistia Internacional.

“Temos visto uma proibição geral de todas as formas de protestos, sejam eles pacíficos ou não, o que tem conduzido directamente ao uso de uma força letal e excessiva da polícia. E subsequentemente a polícia recorre a acusações criminais politicamente motivadas contra os manifestantes e contra iminentes líderes da oposição.”

Godfrey Odongo diz que as acções do governo não são legítimas porque o executivo não tem apresentado provas para justificar, por exemplo, o que é a segurança nacional em caso de ameaça. O governo limita-se a afirmar que os manifestantes querem derrubar o governo.

“Esta é a pior das formas do governo lidar com os protestos. Inicialmente tinha permitido alguns protestos, por exemplo no contexto das campanhas eleitorais. Mas já não tem havido possibilidades de organizar nenhuma forma de protestos no Uganda. Isso é inaceitável.”

O porta-voz do governo ugandês Fred Opolot rejeitou o conteúdo do relatório da Amnistia Internacional.

“Isto é extremamente injusto para o governo, uma vez que no Uganda o governo é extremamente liberal de forma que muitas vezes tem promovido a liberdade de expressão de Ugandeses entre outras liberdades.”

O porta-voz do governo do Uganda adiantou que quanto aos protestos “Caminhada pelo Trabalho”, os seus organizadores não cumpriram as regras em vigor, e a polícia teve simplesmente que intervir para manter a ordem pública.

A Amnistia Internacional também acusa o governo do Uganda de tentar silenciar os jornalistas, assediando e os prendendo sob acusações politicamente motivadas, assim como tentando proibir a cobertura em directo das manifestações. Muitos jornalistas têm sido fisicamente assaltados pela polícia e forças de segurança, conclui a Amnistia Internacional.

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