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Coreia do Sul também tem olhos em África


Aparato de uma visita ao estrangeiro do presidente da Coreia do Sul

Aparato de uma visita ao estrangeiro do presidente da Coreia do Sul

Cobiça chinesa por África despertou o interesse da Coreia do Sul que não quer perder a sua parte do bolo

Numa altura em que China tem estado no centro das atenções através de grandes projectos infra-estruturais em África em troca do petróleo e de outras matérias-primas, responsáveis de um outro grande país asiático – a Coreia do Sul – estão também a tentar obter mais acordos com os Estados africanos.

O jornalista da VOA Nico Colombant diz que as trocas comerciais entre Seoul e os países africanos duplicaram na década passada.

Tal como os chineses, Young-Tae um diplomata da embaixada coreana em Washington descreve as necessidades da Coreia do Sul em recursos naturais, numa conferencia sobre as relações Coreia do Sul e África aqui em Washington.

“Temos falta de recursos naturais. 84,1 por cento do total de energia consumida em 2010 na Coreia do Sul está relacionada a importação de combustíveis fósseis. A Coreia do Sul é igualmente um grande importador de minérios.”

Tanto quanto ao nível da China, a Coreia do Sul reforçou as suas relações com África na busca de uma resposta as suas necessidades. As trocas comerciais entre Seoul e África durante a última década mais que duplicaram atingindo cerca de 14 mil milhões de dólares.

Philippe de Pontet, do Grupo Eurasia, um outro interveniente na conferência intitulada “a aproximação da Coreia do Sul a África” descreveu essa relação à semelhança da com a China, mas numa versão menos dura.

“Estamos a falar de mega investimentos com reais apoios do governo. Precisa-se enormemente de infra-estruturas e capacidades para aceder aos recursos que a economia coreana necessita. Penso que é quase um modelo semelhante.”

Philippe de Pontet alertou a Coreia do Sul para não imitar inteiramente o modelo chinês, que tem recorrido a sua mão-de-obra doméstica em vez de trabalhadores africanos na construção de infra-estruturas africanas, ou ainda em concentrar-se em relações com as altas elites excluindo grupos de sociedade civil e partidos da oposição.

As empresas sul-coreana têm igualmente procurado comprar terras em África. Um dos exemplos vem do Madagáscar onde a companhia Daewoo tinha obtido um contrato de arrendamento de terras por um período de 99 anos para o cultivo de milho e bio-carburantes. Tudo isso em troca de projectos de infra-estruturas. O acordo acabou por ser politicamente denunciado e mais tarde abandonado. Muitos dos agricultores no Madagáscar estavam contra o projecto por considerarem que lhes foram retirados terras sem nenhuma compensação.

O diplomata sul-coreano Young-Tae Kim disse que o seu país está a tentar fazer de tudo de forma a assegurar que situações como essas não voltem a acontecer.

A Coreia do Sul deu um salto inesperado no seu desenvolvimento saindo de um país extremamente pobre na década de 1960 para a 15ª maior economia do mundo através de companhias como a Korea Expressway Corporation, Korea Land Development Corporation e Korail, todas elas sem ajudas compensatórias do governo.

Visitas de delegações sul-coreanas em África são as vezes publicadas nos jornais com análises e citações de governantes africanos afirmando querer adoptar o modelo da expansão económica desse país asiático nos seus respectivos países. Os críticos alertam contudo para o facto desse crescimento não ter sido apenas produto da venda de recursos naturais, mas através de uma industria manufactureira e muito recentemente do sector de alta tecnologias.

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