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Quénia: Os agricultores urbanos enfrentam sérios desafios

  • Paulo Oliveira

Quénia: Os agricultores urbanos enfrentam sérios desafios

Quénia: Os agricultores urbanos enfrentam sérios desafios

Não são donos de qualquer terreno e podem ser despejados a qualquer momento

Em apenas 10 hectares de terra no centro da cidade de Nairobi, quase dez milhões de pessoas debatem-se diariamente para sobreviver. O bairro da lata de Kibera é notório pela pobreza extrema, crime brutal e condições de vida desumanas, que com frequência produzem doenças e a morte.

Existe um aspecto da vida na Kibera que permanece escondido, entre o sofrimento e a tragédia, um milhar de residentes cultivam entre as barracas.

Pesquisadores agrícolas internacionais consideram que estes agricultores urbanos salvam muitos milhares de pessoas da fome.

Os produtores de alimentos de Kibera cultivam utilizando um método conhecimento como de vertical.

“Utilizam sacos vazios reciclados onde colocam solo misturado com estrume, fazendo crescer vegetais que incluem couve, espinafre e cebolas. Colocam os sacos no exterior das barracas. “

A especialista agrícola queniana Mary Njenga é uma das pessoas responsável pelo projecto Colheitas Urbanas, referindo que os agricultores de Kibera utilizam igualmente áreas não utilizadas do bairro.

Njenga descreve a agricultura urbana como sendo uma linha vital para a população de Kibera.

Njenga indica que a violência no Quénia após as eleições de 2008 constitui um exemplo gráfico da importância crescente da agricultura urbana. A confrontação privou Nairobi dos alimentos das zonas rurais, por isso os agricultores urbanos forneceram à cidade a maior parte dos alimentos.

No entanto os agricultores urbanos de Kibera enfrentam sérios desafios. Não são donos de qualquer terreno e podem ser despejados a qualquer momento … impedindo-os de produzir alimentos.

Njenga considera que, no caso de os habitantes do bairro da lata possuírem propriedade, poderão produzir mais alimentos.

Os agricultores de Kibera utilizam água residual para irrigar as culturas, por que é grátis e não tem dinheiro para comprar outro género de água.

Os trabalhadores do sector da saúde indicam que os agricultores em contacto com a água residual, podem absorver, através da pele, metais venenosos como o mercúrio, tornando-os vulneráveis às infecções.

Mesmo assim os agricultores correm o risco, já que o fluxo de água residual permite-lhes obter mais dinheiro.

Especialistas agrícolas referem que os governos africanos até agora não têm prestado apoio à agricultura urbana.

Nancy Karanja considera existir indicação de que os dirigentes políticos do continente estão dispostos a apoiar a agricultura nas cidades.

“Os governos africanos, os presidentes das câmaras tem boa vontade. Penso existir uma forma de mudar a posição de muitas entidades. Leva tempo a convencê-los.”

Avalia-se em 15 milhões o número de pessoas africanas que anualmente se mudam para as áreas urbanas. Muitos milhões de pessoas para alimentar.

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