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China: “Mais velhos” do Partido Comunista querem fim da censura


China: “Mais velhos” do Partido Comunista querem fim da censura

China: “Mais velhos” do Partido Comunista querem fim da censura

Vinte e três importantes dirigentes aposentados do Partido Comunista chinês instaram o governo a por fim à censura e a respeitar a liberdade de expressão. E fizeram-no de forma invulgar na China, através uma carta aberta.

Jiang Ping ex- reitor da Universidade Nacional de Ciência Política e Direito confirmou ter assinado a carta aberta ao governo chinês. Uma carta escrita nos primeiros dias deste mês, mas que só agora foi divulgada.

E justificou-se afirmando que “as reformas políticas ainda não chegaram à China e ainda há muitas restrições à liberdade de expressão”.

A carta exige a abolição da censura, notando que, não obstante a constituição chinesa garantir as liberdades de expressão e reunião, elas são negadas, na prática, pela forma como o governo e o Partido Comunista as regulamentam.

Na missiva a democracia chinesa é descrita como “falsa”. E o departamento de propaganda do Partido Comunista é chamado de “mão negra”.

David Bandurski, um especialista em assuntos chineses em Hong Kong, diz que a expressão “mão negra” sugere uma entidade secreta, sem nome e sem cara, e uma espécie de “criatura que ninguém pode ver mas por quem todos são controlados”.

Nem o primeiro-ministro Wen Jiabao escapa à censura. Ele é uma das vozes que mais abertamente apela à abertura política, mas essas passagens foram eliminadas nos seus discursos mais recentes, tanto na China como no estrangeiro.

Bandurski considera muito significativo que a carta exigindo liberdade tenha sido escrita por proeminentes dirigentes do Partido que se aposentaram, e a quem ele chama os “mais velhos” do Partido.

“Eles ocuparam posições muito importantes no passado, são pessoas de influência no Partido, que apoiam reformas políticas na China e especificamente a liberdade de expressão”, disse Bandurski numa entrevista à VOA.

Os signatários esclarecem que a carta não está directamente relacionada com o caso de Liu Xiaobo, o dissidente chinês galardoado com o Prémio Nobel da Paz de 2010. Liu é um dos signatários da Carta 08, um manifesto que exige reformas políticas na China; foi recentemente condenado a 11 anos de prisão acusado de subversão do Estado.

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