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Crise no Malawi afecta Mozambique

  • Simião Pongoane

Manifestações em Lilongwe

Manifestações em Lilongwe

Corredor do Norte afectado pela falta de transito para o Malawi

Moçambique perde 750 mil dólares norte-americanos por mês, no Corredor de desenvolvimento do Norte, devido à crise económica que afecta o vizinho Malawi.

Desde Maio último o Malawi não importa combustível através do porto de Nacala, localizado em Nampula, norte de Moçambique.

Segundo o gestor do Corredor de Desenvolvimento do Norte, Fernando Couto, a última vez que o Malawi importou 1.240 toneladas de combustível líquido, através do porto de Nacala foi em Maio.

Fernando Couto diz que a falta de aproveitamento do sistema ferro-portuário por Malawi, um país do interland, tem impacto negativo para a infra-estrutura montada na região para servir basicamente os países do interior.

Há 15 ano atrás 75 por cento das receitas do porto de Nacala provinham das importações e exportações do Malawi.

Mas nos últimos anos, a situação mudou, tendo piorado desde Maio.

Fernando Couto considera “extremamente importante o tráfego não só do Malawi, mas também da Zâmbia, mas não é condição sine quanon, se o Malawi deixar de importar ou exportar as suas mercadorias pelo porto de Nacala”.

Mas Fernando Couto reconhece que “a situação é muito grave se o Malawi não usa o sistema ferroviário, porque 90 por cento das mercadorias que circulam nesta linha ferra são importações e exportações malawianas”.

Muitos malawianos têm adquirido combustível nas províncias moçambicanas do Niassa e de Tete, uma situação que foi usada há cerca de três meses como justificação adicional para o reajustamento dos preços dos combustíveis em Moçambique.

O Malawi vive uma situação política e económica muito complicada.

O Presidente Bingu Wa Mutharika, antigo economista do Banco Mundial, está a ser contestado pelo público e por alguns membros do seu próprio governo, pela forma autocrática como governa o País.

O presidente é acusado de querer transformar o Malawi numa monarquia ou feudo familiar, promovendo a esposa e o seu irmão mais novo para o suceder. Demitiu a Vice-Presidente do País, na sequência de críticas públicas ao estilo de governação.

O país foi recentemente abalado por manifestações populares que resultaram em mortes e feridos.

No ano passado, o Presidente Bingu wa Mutharika tentou forçar, sem sucesso, Moçambique a aceitar o uso dos rios Zambeze e Chire para a navegação comercial, sem estudo de impacto ambiental, depois de construir um porto na margem do rio Chire.

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