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Figuras da nomenclatura em Angola ligadas à venda de apartamentos

  • Alexandre Neto

Figuras da nomenclatura em Angola ligadas à venda de apartamentos

Figuras da nomenclatura em Angola ligadas à venda de apartamentos

Projecto imobiliário, construído com fundos do Estado

Altas figuras da nomenclatura política em Angola, principalmente afectas a presidência da República, são citadas como estando envolvidas num negócio bilionário não transparente, ligado a promoção e venda de apartamentos, dum projecto imobiliário, construído com fundos do Estado.

Manuel Vicente que é presidente da Administração da Sonangol decidiu atribuir a Delta Imobiliária, uma empresa privada dele, a responsabilidade das vendas dos 3118 apartamentos já disponíveis desde Junho passado.

Não houve concurso, o que viola a legislação em vigor, segundo o relatório publicado no início desta semana da autoria do jornalista e investigador Rafael Marques.

“A Nova Centralidade do Kilamba” como passou a ser designado o condomínio de 115 edifícios foi construído pela CITIC, empresa estatal chinesa, faz parte de um projecto globalmente avaliado em 3.5 biliões de dólares americanos.

Além do chefe da Sonangol Manuel Vicente, o outro nome associado a empresa Delta é do Gen. Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, actual ministro de Estado e Chefe da Casa Militar da presidência da República. Á lista de sócios é engrossada ainda por outras relevantes figuras afectas a presidência da República, com destaque o nome do Gen. Leopoldino Fragoso do Nascimento.

O expediente administrativo foi praticado através da Sonangol Imobiliária, uma subsidiária da empresa de hidrocarbonetos que recebeu das GRN-Gabinete de Reconstrução Nacional em 2010.

Portanto foi na qualidade de Presidente da Sonangol, que Manuel Vicente despachou a favor da sua empresa privada a tarefa da promoção e venda destes apartamentos.

Diz o relatório que este negócio renderá lucros fabulosos e servirá para enriquecimento pessoal.

A concretização do projecto tem sido apresentada como modelo e exemplo que devia ser seguido em África.

Para ressaltar a importância e o destaque que é dado, visitam o empreendimento regularmente, distintos dignitários. Entre eles há destacar o chefe de Estado da Namíbia e Timor Leste e o rei da Suazilândia que teceram largados elogios.

Sobre as visitas que tem recebido o projecto, ironiza o relatório a concluir, citamos, “… é caso para dizer que o projecto Kilamba, um verdadeiro modelo de corrupção em África, se tornou no principal cartão-de-visita das autoridades angolanas”.

Angola tem crescido economicamente nos últimos anos, mas tornou-se na referência de corrupção sem retrocesso.

O que explica a recorrência deste tipo de práticas, quando foi inclusivamente aprovada uma lei da probidade, pergunta que coloquei ao autor do Relatório!

Dos órgãos de justiça muito se esperava, mas continuam submissos ao poder político. A Procuradoria segundo Rafael Marques rege-se ainda por um diploma do tempo do partido único!

Apesar dos esforços por nós encetados, não conseguimos obter reacção de nenhuma entidade afecta ao Executivo.

Um porta-voz do MPLA disse à VOA que Rafael Marques "é livre de escrever o que quiser". E rematou: "Se fossemos responder a tudo o que se escreve sobre nós, só fazíamos isso".

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