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Crianças mucubais do Namibe abandonam escolas

  • Armando Chicoca

Soba do Virei Bernardo Mussonde (Namibe, Angola)

Soba do Virei Bernardo Mussonde (Namibe, Angola)

O cenário caiu mal aos governantes da província que têm a obrigação de protecção à criança, no quadro dos 11 compromissos assumidos pelo governo angolano.

O cenário caiu mal aos governantes da província que têm a obrigação de protecção à criança, no quadro dos 11 compromissos assumidos pelo governo angolano.

O Município do Virei, um dos potenciais em gado na província do Namibe, mas também, ciclicamente assolado pela seca, é o mais visado em transumancia nas terras da mulher Mucubal, onde a sua população, maioritariamente criadora de gado e à procura de água para abeberamento de animais por esta altura, arrasta consigo bois, cabritos, ovelhas e também petizes em idade escolar, em longa marcha para outras paragens.

Esta realidade, além de estar sob o domínio das autoridades governamentais locais, o administrador municipal adjunto do Virei, Joaquim Muteka, na sua recente incursão pelo interior daquele Município «terras do carneiro, como é chamado», constatou in-loco a existência de muita criança, fora do sistema de ensino por negligência dos próprios pais e outras que abandonaram as aulas por razões da seca.

«Encontramos muitas crianças junto de algumas lavras e eu perguntei, estas crianças estudam? E resposta sempre foi, não, não estudam, nunca foram a escola. Então se temos um professor aqui pertinho, quase há três anos, ainda existem crianças fora do sistema de ensino, por conta dos pais? Mas isso é quê afinal? O governo não pode gastar dinheiro, construir quatro salas de aulas e depois estudar só uma turma ou uma sala, isso é triste», desabafou o administrador Municipal adjunto Joaquim Muteka.

Chamou a responsabilidade dos sobas, a sensibilização das comunidades para o retorno das crianças nas escolas. Joaquim Muteka admitiu estar em curso o estudo que visa accionar mecanismos tendentes a garantir protecção e assegurar a escolarização das crianças assoladas pela transumancia, através mediante a implementação de escolas móveis:

«Queremos lançar aqui um apelo, para que nossos sobas tenham mais força na mobilização das comunidades para que as crianças possam frequentar aulas, só assim poderemos construir uma escola com capacidade de mais de quatro salas de aulas na base da actual política da reforma educativa. Enquanto isso, vão continuar estudar na tenda, nas áreas em que a população aí existente não justifica a construção de uma escola no mínimo de quatro salas, vamos instalar aí uma tenda e na fase da transumancia recorreremos as escolas móveis», explicou.

O ministro da Educação, Mpinda Simão, instado a pronunciar-se sobre o caso disse à “Voz de América” que aquele Ministério está preocupado com a problemática da transumancia no seio da comunidade escolar em zonas rurais. O ministro Mpinda Simão garantiu uma atenção especial a esta população, no quadro do respeito escrupuloso dos compromissos assumidos pelo Governo angolano sobre a protecção da criança.

Autoridades governamentais do Namibe constrangidas com o abandono as aulas por petizes em zonas tradicionalmente transumantes.

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