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Desporto automóvel regressa ao Huambo

  • António Capalandanda

Desporto automóvel regressa ao Huambo

Desporto automóvel regressa ao Huambo

Aficcionados do automobilismo dão primeiros passos para fazer regressar à cidade glórias do passado

O desporto motorizado vai regressar a Angola e o Huambo é a cidade onde se começam a dar os primeiros passos nesse sentido.

O Huambo faz renascer assim um tradição que vem da era colonial.

Uma das provas mais importantes do calendário Angolano era disputada nas ruas da cidade de Nova Lisboa, num circuito incrível que alternava uma recta com mais de um quilómetro com curvas em gancho, subidas, descidas, mau piso, passeios, árvores e sacos de areia.

Estas palavras fazem parte das memórias de Armando de Lacerda, conhecido como Senhor do Automobilismo Português, grande impulsionador da modalidade no anos 70 em Portugal e no ultramar, tendo organizado as 6 Horas Internacionais de Nova Lisboa, actualmente Huambo.

Seis Horas Internacionais de Nova Lisboa foi uma prova emblemática, onde Armando de Lacerda do Sporting Clube do Huambo conseguiu um traçado que entrou para o Calendário das Provas da Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

Naquelas provas se viam máquinas como o Lola T290, T280, Porsche 907, Alfa Romeo e Mini.

A primeiras provas das 6 horas de Nova Lisboa ocorreram em 1969, tendo deixado de existir após a independência nacional.

Ao fim de cerca de trinta e seis anos, a cidade mártir hoje se vê renascer cheia de entusiasmos ao ver Marcos Lemos, Dinho Maquina, Dimas Cowboy e Vuty lançarem-se velozmente pelas suas ruas com motorizadas de 600 centímetros cúbicos, na disputa de um lugar cimeiro numa corrida há tanto tempo ausente.

Trata-se do grande Premio ZTV – 2011 prova automobilística, no velho percurso das afamadas “Seis Horas de Nova Lisboa”, com algumas modificações, quer na pista, quer no formato da prova.

O Grande Premio ZTV- Huambo 2011 é uma prova de velocidade que decorreu no circuito citadino com um percurso de 3.100 metros de extensão.

A Associação dos Desportos Motorizados do Huambo (ADM) reivindica assim, o estatuto que a província ostentava na época colonial onde era tida como a única do país que realizava concursos desportos de automobilismo internacionais. George Andrade é o director da prova.

“ Nunca poderemos fazer uma prova de resistência como foi no passado, poderemos sim fazer uma prova de velocidade” disse Andrade, sublinhando que, “ neste momento o campeonato nacional é na área de velocidade, não temos peritos para resistência".

“ É no vector de velocidade que estamos a apostar para a internacionalização da prova,” acrescentou.

Andrade revelou ainda que, o Grande Premio ZTV- 2011 deverá impulsionar a criação da Federação Nacional dos Desportos Motorizados de Angola, o que será um meio caminho andando para o registo na Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

Em 2012 a organização pretende convidar a Federação Portuguesa de Automobilismo, para ajudar a Associação dos Desportos Motorizados do Huambo, na realização de provas que respeitem os padrões exigidos pela Federação Internacional de Automóveis.

Em 2011, Marco Lemos venceu com 1 minuto e 30 segundos, oitocentos e oitenta e quatro milésimos, em termos de desportos motorizados na classe de 600 cc.

Nelson Peral levou o troféu Nacional de Velocidade de Automobilismo na classe A, com 1:45.497, tendo Jorge Pires conquistado o segundo lugar com 1:37.769.

Já com 1 minuto e trinta e cinco segundos e 925 milésimos, ficou Fiorio Sousa em terceiro lugar.

Santos Peras antigo corredor das 6 Horas internacionais da Nova Lisboa acredita na afirmação da província angolana do Huambo como capital dos desportos motorizados e automobilismo, olhando pelo nível de organização do Grande Premio ZTV- 2011 e lembra com nostalgia as provas da sua época.

“ Eu corri com falecido piloto português, Flávio Santos. Era uma prova muito bonita e dura na qual temos de ter bons carros e resistência, boa assistência para mantermos de princípio ao fim as duas horas sem que se perca tempo” recordou Santos Peras.


Para as futuras provas internacionais será construído um autódromo para circuitos numa zona de 100 hectares.

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