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Documentos secretos: Kissinger não queria ajudar UNITA


Documentos secretos: Kissinger não queria ajudar UNITA

Documentos secretos: Kissinger não queria ajudar UNITA

Em 1975 Estados Unidos indecisos sobre quem e como ajudar na luta contra o MPLA

Kissiner não queria ajudar UNITA

O antigo Secretário de Estado americano Henry Kissinger mostrou-se relutante em ajudar a UNITA na sua oposição ao MPLA, indicam documento secretos acabados de publicar pelo Departamento de Estado.

Os documentos indicam que a menos de cinco meses da independência de Angola e com a guerra civil a aproximar-se as autoridades americanas continuavam sem saber a quem dar o seu apoio e como fazer chegar esse apoio.

A indecisão versava não só quem apoiar para fazer face ao MPLA mas também oposição dentro da burocracia americana a um envolvimento no conflito que se avizinhava.

Para além disso o governo americano estava inicialmente apostado em apoiar a FNLA um movimento que se mostrou ineficaz no campo de batalha.

Com efeito é só em Junho de 1975 a pouco menos de cinco meses da independência de Angola que numa reunião do “Comité dos 40” – o organismo encarregado de supervisionar operações clandestinas - se discute a possibilidade de se dar ajuda monetária à UNITA.

Nesse encontro o director da CIA William Colby propõe uma ajuda financeira à Unita mas Kssinger, então já conselheiro de segurança nacional não parece muito entusiasmado, afirmando e citamos “não queremos cometer os mesmos erros que cometemos no Chile – dar dinheiro a toda a gente e depois perdermos para os comunistas”.

Nessa reunião quando Kissinger interroga os presentes qual seria a melhor opção para os Estados Unidos a maior parte dos presentes respondeu : Roberto, numa alusão ao líder da FNLA Holden Roberto.

É interessante notar contudo que no início desse mesmo mês, Junho de 1975 a CIA informa a administração que o presidente Mobutu do Zaire “deixou de confiar” nas informações dadas pela FNLA sobre a situação em Angola e teve um encontro privado com Savimbi.

Nesse encontro, diz a CIA no seu memorando, Mobutu passou a acreditar que as “iniciativas de Savimbi são a melhor alternativa” e que “Kaunda ( presidente Kenneth Kaunda da Zambia) e Nyerere ( Julius Nyerere presidente da Tanzânia) também acreditam que Savimbi é a única força que pode salvar Angola”.

Um outro memorando da CIA a 27 de Junho de 75 afirma que Mobutu reduziu a sua ajuda á FNLA “em parte devido aos graves problemas financeiros do país e porque há um esfriamento para com Roberto”.

Numa reunião com destacados elementos da administração, um funcionário do Departamento de Estado sugere que os Estados Unidos poderão “duplicar as suas chances” se “atirarmos alguns ossos a Savimbi”.

Kissinger afirma no entanto que ainda não está convencido que “devemos mudar para Savimbi”.

Numa reunião de alto nível a 27 de Junho de 1975 envolvendo o presidente Gerald Ford, Henry Kissinger (então Secretário de Estado) alerta o presidente para o facto do envio de armas soviéticas “ter mudado a situação”, mencionando veículos blindados como parte da entrega de armas soviéticas.

Tanto kissinger como o director da CIA aventam a possibilidade de se ajudar tanto a FNLA como a UNITA, o primeiro “através de Mobutu ” o segundo “através de Kaunda”.

Ford relembra um encontro que tinha mantido com o presidente Kaunda em que este tinha sublinhado que “era importante colocar Savimbi em primeiro lugar porque então ele ganharia (as eleições)”.

Kissinger responde com ironia “Kaunda estava a dar ao Sr. presidente uma lição em ciências politicas”.

Esse é um dos encontros em que o director da CIA, William Colby, manifesta dúvidas sobre o envolvimento americano em Angola afirmando que ajuda militar americana iria resultar num aumento da guerra “ e não haverá um fim feliz”.

Colby queixa-se que não há possibilidade de colocar fundos suficientes para “ se resolver o assunto rapidamente” e afirma que isso só resultará em “grandes criticas” e “escândalo”.

Esta relutância de Colby vai jogar um papel predominante num encontro do comité dos 40 a 14 de Julho e 1975 em que este afirma claramente ter medo do Congresso se houver um envolvimento americano na guerra em Angola advogando apenas a entrega de fundos. Mas Kissinger insiste num programa completo para além de fundos.

Esse plano é aprovado a 16 de Julho de 1975. Mas em Setembro numa reunião do comité dos 40 transparece a inoperância e insuficiencia dos planos americanos de travarem a ascensão do MPLA com apoio Soviético. Os Estados Unidos lutam com dificuldades em enviar armas não americanas para os oponentes do MPLA e os seus fundos estão limitados. A FNLA mostra-se totalmente a inoperancia sendo qualificada por entidades americanas como "um exército de mal trapilhos".

O director da CIA fala então da possibilidade o envio de armas americanas, de se treinar a UNITA no Zaire e enviar conselheiros não americanos para Angola para ajudar as forças que lutam contra o MPLA.

Kissinger revela o seu pessimismo. “Basicamente deitamos tudo a perder,” diz Kissinger nessa reunião.

Menos de dois meses depois o MPLA controlando a capital proclama a independência de Angola e assume o poder em Luanda provando aquilo que Kissinger tinha afirmado meses antes numa reunião com o presidente Ford: Em África, disse ele, quem controla a capital ganha a guerra.

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