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Africa do Sul: Juíz proíbe música símbolo da luta anti-apartheid


Líder da Juventude do ANC falando à porta do Tribunal onde respondia por incitação à violencia

Líder da Juventude do ANC falando à porta do Tribunal onde respondia por incitação à violencia

"Dubula ibhuni" - matem o Boer - faz apologia do ódio e da violência e tem sido usada pelo líder da juventude do ANC Julius Malema

Um Tribunal sul-africano proibiu hoje o cântico em público ou em privado de uma das músicas da luta anti-apartheid – Dubula ibhuni – que em inglês quer dizer, “matem o boer”.

A jornalista da VOA em Joanesburgo, Delia Robertson diz no entanto que a decisão do tribunal poderá ser alvo de recurso.

O juiz Collin Lamont decretou assim a censura da música que é as vezes cantada por Julius Malema o controverso lidera da liga juvenil do Congresso Naciona Africano – ANC – durante os seus comícios públicos. A letra da música inclui versos como “Dubula ibhuni” que traduzido para inglês quer dizer “matem o Boer”. Boer que pode significar fazendeiro ou Afrikaners brancos particularmente aqueles que se consideram como os verdadeiros defensores da língua e história afrikaner.

Mas para os negros sul-africanos “ibhuni” não quer necessariamente dizer Boer. A palavra é muitas vezes usada para referir-se ao governo do apartheid, e actualmente tem sido usada para definir os brancos que ainda se identificam com o passado.

Seja como for, o juiz Lamont determinou que a música em causa faz a apologia do ódio, bem como muitas outras pessoas.

“Se as palavras têm significados diferentes, então cada significado deve ser considerado e aceitado como tal. A questão aqui não é tentar descobrir um significado exclusivo mas sim encontrar um que tenha como alvo um grupo exclusivo a que se atribui esse significado.”

Muitos brancos acreditam que Julius Malema canta a musica Dubula ibhuni para incitar o ódio. Algumas das entoações podem conduzir ao assassinato, particularmente de fazendeiros brancos e suas famílias.

Contudo, Malema disse perante o tribunal que canta esta música de mais de 70 anos com base no seu espírito anti-apartheid. O líder da juventude do ANC negou veementemente as acusações de que esteja a incitar o ódio e a violência. Um argumento que foi rejeitado pelo juiz que realçou que enquanto canta a música agora proibida, Malema faz gestos de quem dispara, e que para além disso, usa slogans anti-brancos nas suas músicas e discursos.

A sentença do juiz Collin Lamont já está a ser questionada pelos defensores da liberdade de discursos livres e alguns advogados a consideram como uma potencial infracção a liberdade de expressão plasmada na constituição. Barney Pityana antigo líder da Comissão dos Direitos Humanos, disse a Voz da América que questões como essas de

“Eu pessoalmente não penso que se pode resolvê-la através de interdição. Penso que a solução passa pelos responsáveis políticos. Precisamos de uma maturidade que diga que a liderança política requer restrições em certos momentos, e que requer regras e compreensão, … uma forma de maturidade que tenha em conta o impacto das palavras que usamos, quer seja nas músicas, gestos, e situações. E se for um líder de partido político as suas palavras significam muito.”

A Liga da juventude do ANC já indicou que tenciona recorrer da sentença do juiz Collin Lamont.

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