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Dez anos do 11 Set: África Oriental zona de testes para redes terroristas


Combatentes da al-Shabab nas ruas de Mogasdício, Maio de 2009

Combatentes da al-Shabab nas ruas de Mogasdício, Maio de 2009

Primeiros atentados da al-Qaida foram nesta região agora dominada pelo grupo de militantes somalis al-Shabab

Africa Oriental terra de terror

Desde os ataques terroristas de há 10 anos em Nova Iorque e em Washington, os esforços dos Estados Unidos para combater a al-Qaida têm sido concentrados no Sul da Ásia e no Médio Oriente.

Mas os grupos terroristas internacionais têm uma longa presença na África Oriental e os especialistas afirmam que o grupo militante somali al-Shabab continua a ser o maior desafio da ameaça regional.

Três anos antes dos membros da al-Qaida terem atacado as torres gémeas em Nova Iorque e o Pentágono em Washington, esse grupo terrorista já tinha atacado na África Oriental. A 7 de Agosto de 1998, bombistas suicidas destruíram as embaixadas americanas de Dar es Salaam, na Tanzânia e de Nairobi no Quénia, matando dezenas de pessoas e ferindo milhares de outras.

Mark Schroeder um analista africano de uma agência informação, diz que por causa de uma longa governação complacente, a região da África Oriental era na altura o lugar ideal para a al-Qaida levar a cabo as suas acções de terror.

“Era um lugar ideal para experimentar alguns métodos, tácticas e estratégias já que estava fora da atenção dos radares. E posso ainda dizer que ainda está, mas não ao mesmo nível de então.”

Schroeder disse que depois do 11 de Setembro os Estados Unidos começaram realmente a expandir a sua presença na região da África Oriental, reconhecendo desta forma que al-Qaida era de facto a maior ameaça.

Actualmente essas ameaças evoluíram. Se os ataques de 1998 foram organizados pelo comando central da al-Qaida sob a orientação de Ossama Ben Laden, agora as atenções estão viradas para o grupo de militantes islâmicos somali, al-Shabab.

O Adjunto do Subsecretario Assistente para Assuntos Africanos, Karl Wycoff, é afirmativo.

“Al-Shabab é a maior ameaça significativa na África Oriental e posso dizer ainda para contextualizar, a al-Shabab não é apenas uma ameaça terrorista, mas sim uma ameaça permanente – tanto na Somália como em toda a região.”

Al-Shabad tem tido uma forte ligação a al-Qaida. O exemplo é que o homem que esteve por detrás dos ataques das embaixadas americanas e conhecido como Fazul Harun tinha o estatuto de operacional da al-Qaida e de alto comandante na al-Shabab.

De forma a combater tais ameaças, Karl Wycoff disse que os Estados Unidos têm-se apoiado nos seus parceiros regionais como o Governo Federal de Transição na Somália.

“Posso referir a maneira como as coisas têm evoluído, dizendo que Harun Fazul que esteve envolvido nos ataques contra as embaixadas americanas em 1998, foi morto pelas forças do Governo Federal de Transição Somali em Mogadíscio. E por isso, penso ser um exemplo de como as coisas se estão a evoluir; estamos a tentar capacitar os nossos parceiros somalis, e continuar a apoiar os parceiros da União Africana de forma que possam fazer mais progressos no que toca a estabilidade.”

Os Estados Unidos apoiaram a iniciativa que conduziu ao acordo este ano, entre líderes Somalis para o estabelecimento de um plano prevendo eleições e uma nova constituição política.

Existem também informações de que Washington está a usar tácticas militares secretas, incluindo aviões-drones para atacar os alvos da al-Shabab.

Os responsáveis Somalis dizem contudo que o sucesso no combate contra a al-Shabab marca o início do fim desse grupo.

Seja como for a Somália tem vivido há 20 anos sem um governo central estável, alimentando assim a ideia de que é um terreno ideal para o terrorismo.

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