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Aumenta a pirataria no Golfo da Guiné

  • Washington

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Piratas demonstram maior coordenação e eficácia

Aumentam os actos de pirataria no Golfo da Guiné, ameaçando uma das maiores rotas de navegação comercial e colocando em evidencia a deficiente segurança marítima da região ocidental de África.

O Golfo da Guiné estende-se ao longo de uma dezena de países do ocidente e centro de África, incluindo a Nigéria e Angola, os principais produtores de petróleo do continente.

Embora as águas ao largo da Somália continuem a ser o epicentro da pirataria mundial, o Golfo da Guiné conheceu, este ano, um aumento alarmante de ataques, particularmente ao largo das costas do Benin.

Raymond Gilpin é o director do Centro de Economias Sustentáveis do Instituto norte-americano para Paz.

“É evidente que os grupos envolvidos sabem exactamente aquilo de que estão à procura – petroleiros que se encontram ancorados. O objectivo é o de assaltar o navio, leva-lo para local seguro e descarrega-lo”.

Assaltos à mão armada no mar não constitui algo de novo no Golfo da Guiné, nem é ilegal a venda de petróleo roubado das suas águas tanto na região ocidental de África como em portos europeus.

Nos últimos seis meses, no entanto, os ataques tornaram-se mais frequentes, e os criminosos encontram-se mais organizados.

As autoridades navais referem que as provas existentes indicam que sejam da Nigeria.

Gilpin sublinha que o método de ataque, em particular o nível de violência, é similar aos criminosos do Delta do Níger. Os navios que são assaltados são com frequência desviados para as águas próximas da fronteira nigeriana.

O Gabinete Marítimo Internacional indica que foram notificados 15 ataques ao largo da costa do Benin no primeiro semestre deste ano, enquanto em 2010 não se verificou um único incidente.

Gilpin adianta que o aumento da segurança nas águas nigerianas pode estar na base do aumento dos assaltos ao largo do Benin.

Gilpin precisa que a maioria dos ataques ocorre entre os dez e os trinta quilómetros da costa, o que significa que se podem ver através de binóculos.

Enquanto os Estados Unidos e outras nações ocidentais patrulham activamente as costas da Somália na procura dos piratas, as marinhas da África Ocidental abandonam as suas águas.

Muitas das unidades das marinhas nem sequer possuem o equipamento essencial para fazer frente à actividade criminosa, como seja equipamento de radar e unidades de patrulha.

Os economistas consideram que os ataques na região podem ter sérias implicações financeiras, incluindo a subida do petróleo a nível mundial. As companhias internacionais de navegação podem enfrentar o aumento dos prémios de seguro ou simplesmente passarem a evitar fazer comércio na região. Os consumidores da África Ocidental passariam a ver aumentar os custos das mercadorias importadas como o arroz ou os aparelhos electrónicos.

Ataques contra navios no Golfo da Guiné não são sistematicamente anunciados, em particular os ocorridos ao largo da costa da Nigéria.

Kwesi Aning do Centro Internacional de Treino no Ghana, sustenta que a totalidade dos países tem sido afectada.

“Trata-se de uma actividade com grande implicação. Tentam fazer-nos pensar que a pirataria é devida ao petróleo. Não é assim. Estão em causa os narcóticos. As armas de pequeno calibre, e o tráfego de seres humanos.”

As marinhas são praticamente inexistentes, refere Anning, deixando redes de criminosos livres para roubar navios e movimentarem mercadorias ilícitas através do golfo.

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