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Somália: PAM denuncia roubo de ajuda alimentar


Desembarque de toneladas de ajuda alimentar à carenciados Somalis

Desembarque de toneladas de ajuda alimentar à carenciados Somalis

Agência humanitária promete penalisar os envolvidos num alegado desvio de ajuda alimentar aos carenciados somalis

O Programa Alimentar Mundial – PAM – condenou com veemência o desvio de ajuda alimentar que é destinada à população carenciada e vulnerável na Somália.

O PAM anunciou que está a investigar alegações de roubo de ajudas humanitárias e ameaçou suspender os envolvidos em tais actos.

O Programa Alimentar das Nações Unidas está a assistir actualmente 1,5 milhão de necessitados no centro e norte da Somália. A mesma organização indicou que a grande maioria da ajuda alimentar está a ser distribuída para a população carente na capital Mogadíscio. De acordo com as estimativas cerca de um por cento dos alimentos distribuídos está a ser desviado.

Lauren Landis a directora do PAM em Genebra, diz que a organização tem no terreno um forte sistema de controlo de forma a assegurar que as ajudas cheguem as mãos dos necessitados.

“Existem organização contratadas por nós, que vão ao terreno ver os nossos programas e se descobrirem alguma coisa, informam-nos e iniciamos imediatamente as investigações. E é o que está a acontecer neste caso. Portanto iniciamos imediatamente investigações completas a alegação num ambiente de trabalho muito difícil.”

Uma notícia da Associated Press identifica um trabalhador contratado e conhecido por Enow como estão envolvido numa alegada venda de géneros alimentícios do PAM. A mulher do visado dirige uma grande agência de ajuda Somali denominada Saacid que foi contratada pelo PAM para distribuir refeições quentes.

Os responsáveis do Programa Alimentar Mundial rejeitaram comentar as alegações, mas afirmam que vão investigar todos os incidentes e suspender todas as partes cujos envolvimentos forem provados. O PAM adiantou que poderá suspender as distribuições alimentares enquanto decorrer as investigações.

A porta-voz do PAM, Christiane Berthiaume reconheceu que os trabalhadores humanitários correm grandes riscos na distribuição alimentar na Somália, e disse que na situação actual a sua organização não tem outra alternativa em continuar a assistir os carenciados.

“ A barra é muito alta aqui. É a vida das pessoas. É uma questão de vida ou de morte. Precisamos de continuar. Precisamos de investigar a situação. Condenamos os que estão a fazer isso. Mas, precisamos de continuar a trabalhar porque senão as pessoas vão morrer. Não há outra escolha. E penso que é vergonhoso que as pessoas tenham feito isso.”

Esta não é a primeira vez que a ajuda alimentar internacional tenha sido desviada na Somália. Em 1993 Comandos do Delta Force e Rangers foram enviados para a Somália com a missão de prender o então líder terrorista Mohammed Farrah Aidid que tinha morto funcionários das Nações Unidas em campanha de distribuição de ajuda alimentar à carenciados somalis. A operação falhou e as forças dos Estados Unidos se retiraram por causa da morte de muitos militares americanos.

As Nações Unidas estimam que mais de 3,2 milhões de pessoas ou seja a metade da população somali vive em situação de carência alimentar. Mais de 450 mil necessitados vivem nas zonas devastadas do centro e sul da Somália controladas pelo grupo militante al-Shabab. Os Estados Unidos calculam que 29 mil crianças entre 0 e 5 anos morreram por causa da malnutrição ou de doenças relacionadas.

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