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Governo proibe noticias, mas desmaios em Angola continuam

  • Armando Chicoca
  • Teodoro Albano

Governo proibe noticias, mas desmaios em Angola continuam

Governo proibe noticias, mas desmaios em Angola continuam

Notícias sobre desmaios em muitas escolas de Angola deixaram de ser publicadas na imprensa afecta ao Governo

Governo angolano acusa medias de facilitar fenómeno

Notícias sobre desmaios que ocorrem quase diariamente em muitas escolas de Angola deixaram de ser publicadas na imprensa afecta ao Governo a partir de hoje.

A medida surge um dia depois do Governo ter acusado os órgãos de comunicação social e alguns sectores da sociedade civil de estarem a facilitar a propagação do fenómeno.

Numa conferência de imprensa organizada pelos Ministérios da Saúde e do Interior, o esta terça-feira, o comandante geral adjunto da Polícia Nacional, Comissário-Chefe Paulo de Almeida, disse não se ter detectado o agente causal da alegada doença.

Segundo aquela patente da PN, os exames laboratoriais, efectuados fora do país, não detectaram nenhuma substância tóxica nos organismos das vítimas.

Paulo de Almeida, rejeitou o registo de vítimas mortais e deplorou o efeito multiplicador que a situação tem gerado sobretudo em adolescentes do sexo feminino.

De acordo com Paulo de Almeida, os adolescentes envolvidos na recente pulverização de gás lacrimogéneo ocorrida numa escola em Luanda já foram detidos entregues ao Ministério Público para a responsabilização criminal.

O comissário chefe da PN disse que até ontem tinham sido registados 91 casos por alegada inalação de substância tóxica, nas províncias de Cabinda, Cunene, Namibe, Malanje, Huíla, Uíje e Lunda-Sul.


Namibe Médicos aconselham estudantes ao uso de lenço do bolso para se protegerem do gás tóxico nas instituições escolares

Defendeu o Director do hospital Ngola Kimbanda o Dr. Leonaldo Gonçalves em conferencia de imprensa que teve lugar no comando provincial do Namibe da policia nacional em consequência da onda de desmaios nas instituições escolares.

Calma e nada de pânico no caso de se confrontarem com os colegas em situação de desmaios.

«Quando ocorrem estas situações, as pessoas não podem entrar em pânico, é preciso ter calma, se o seu colega cai, você não pode cair logo através dele. É só pegar no lenço do bolso, afastar-se do local e deixar que as pessoas de direito procedam o devido socorro, esta, é a mensagem que se deve levar no seio da população», reiterou.

O ambiente nas escolas é caracterizado de constrangedor. O Director Provincial do Namibe da educação Pacheco Francisco também um dos eleitos a esta conferencia de imprensa manifestou a sua preocupação pelo facto de os acontecimentos coincidirem com o período de avaliação dos alunos.

«A não presença de alunos nas salas de aulas, isso contribui negativamente na aprendizagem dos alunos. Uma vez estamos no final do trimestre, como sabeis em termos de calendarização esta é a última semana lectiva de aulas, porque a partir do dia dez do mês em curso iniciaremos com as avaliações do segundo trimestre, portanto, estamos na recta final em que revisões deverão ser feitas para que os alunos não fossem na avaliação com dúvidas, como podem observar, este clima cria-nos dificuldades», defendeu.

Por seu turno, e sem entrar em detalhes, o comandante da Brigada Escolar, o Intendente José Teodoro garantiu medidas que visam punir presumíveis prevaricadores.

Há relatos de casos de desmaios no Município do Tombwa, enquanto no Namibe se observa ausência de alunos e professores nas escolas.

Os jornalistas ao serviço dos órgãos de comunicação social públicos na mira da censura, estão impedidos de reportar qualquer caso de desmaios nas escolas da província do Namibe. Os professores igualmente proibidos de prestar qualquer declaração em torno dos acontecimentos nas instituições escolares, os desmaios, somam e seguem no Namibe, com cerca de cento e quarenta e cinco estudantes desmaiados, alguns dos quais encontrando-se a receber tratamento medico.

Os casos de desmaios nas escolas atingiram na segunda-feira a cidade do Lubango e o município da Humpata na província da Huíla.


As autoridades sanitárias se recusam a apontar os números oficiais mas no hospital geral do Lubango e outras unidades sanitárias da capital da Huíla as vítimas terão atingido as mais de 190 pacientes.

Em consequência o pânico e o desespero tomou conta de várias escolas, pais e encarregados de educação foram forçados a abandonar os locais de trabalho e correr ao encontro de seus educandos.

A semelhança do que vem acontecendo pelo país, na Huíla as autoridades sanitárias desconhecem a origem do fenómeno. Admitem casos de intoxicação de substância por identificar e não só.

Bernabé Lemos é o director provincial da saúde na Huíla.

“ O que nos foi dado a ver é que de facto alguns desmaios aconteceram por arrasto ou por simpatia se quiser é o que aconteceu. Porque sinais evidentes de intoxicação em que por exemplo… e mesmo insuficiência respiratória como tal não vimos isso. Houve é pânico tanto é que as crianças que foram acompanhadas pelos seus familiares principalmente mães também depois desmaiaram”

Uma triagem necessária e a criação de uma equipa de psicólogos para trabalhar com pessoas atacadas pelo medo e o pânico foram as medidas tomadas pelo hospital.

Nesta terça-feira o receio dos pais em mandar os filhos a escola era evidente. O director da educação da Huíla, Américo Tchicoty, apelou a calma e descarta a suspensão das aulas.

“Não haverá suspensão das aulas, vão manter, nós vamos tratar caso a caso em função da escola onde houver registo. As medidas que nós vamos desencadear será em função da escola onde tivermos casos. Se eventualmente registarmos um número considerável numa única escola ali poderemos ver o que é que se pode fazer. O que nós queremos é que haja calma, haja serenidade, e está tudo sendo feito no sentido de não haver situações casos graves. O que nós queremos é aconselhar os pais e encarregados de educação para mandarem ir para escola para escola os seus filhos os seus educandos, porque as direcções das escolas serão também ainda hoje orientadas naquilo que são medidas cautelares para eventuais situações posteriores”.

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