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Doentes falaram à VOA dos seus dramas pessoais

SIDA: O drama pessoal

Na conferência internacional sobre a SIDA são divulgadas estatísticas, estudos e projectos. Mas, o que muitas vezes escapa à atenção é o lado trágico da doença.

Num grupo de trabalho na conferência internacional sobre a Sida a decorrer em Washintgton, uma mulher sudanesa falou à VOA da sua tragédia pessoal. De como descobriu estar infectada já adolescente. Infectada por transmissão da sua mãe.

“Passei a odiar a minha mãe,” disse ela. A relação melhorou mas mais tarde essa mulher, hoje com mais de 20 anos, foi escorraçada da casa do seu marido quando a família deste descobriu que ela estava infectada.

Estava grávida na altura e houve pressões para abortar o bebé o que ela recusou. A filha nasceu negativa, sem infecção portanto.

Esnawt Mwila uma mulher que vive com o vírus HIV disse não estar interessada nos aspectos técnicos da conferencia pois a sua realidade no terreno é bem diferente.

Nos últimos sete anos, disse ela, tem que acordar uma vez por mês às quatro da manhã para ir receber os seus medicamentos.

Para Mwila nas zonas rurais de África falar de medicamentos sem custos não corresponde à realidade. Muitas vezes as pessoas não têm dinheiro para se deslocar aos centros para receber os seus medicamentos.
“As pessoas têem que andar distâncias até 40 quilometros. Acham que isso é ser-se livre? Essa pessoa teve que deixar a sua casa. Essa pessoa é o ganha-pão da casa e vai ter que estar ausente dois dias par ir à clinica e ter acesso a tratamento”, disse Mwila à VOA.

Outro problema: a nutrição. Muitas pessoas em zonas rurais não tem meios para conseguir alimentar-se devidamente.

Mas talvez a história mais dura de aceitar foi aquela contada por uma assistente social na Guatemala que contou como mães que que transmitem a doença aos seus filhos escondem os medicamentos porque querem que os seus filhos morram. Dizem que não há futuro ou esperança para quem tem a doença.

E isso, como disse alguém aqui na conferância sobre a SIDA, é o cerne da questão: a esperança de que a doença possa ser combatida.

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