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A Décima Oitava Conferência sobre a Sida em Viena

  • Ana Guedes
  • Renato Bittencourt

RENATO - Teve início neste fim-de-semana, em Viena, Áustria, a Décima Oitava Conferência sobre a Sida, com a participação de mais de 20 mil cientistas, médicos e membros de associações.

ANA - A Sociedade Internacional da SIDA escolheu para o evento. O tema "Direitos aqui e agora" .

RENATO - O termo "aqui" se refere à proximidade com o leste europeu e a Ásia central, únicas regiões onde a epidemia avança, especialmente entre os consumidores de drogas injectáveis.

RENATO - Especialistas foram instruídos pelos organizadores da conferência para prepararem um documento intitulado “ Declaração de Viena,” que avalia os métodos actualmente usados com relação aos drogados.

ANA - Os autores do documento afirmam que as políticas repressivas contra a droga contribuem para a difusão do vírus da SIDA, já que os dependentes dessas substâncias têm pouco acesso aos cuidados médicos.

RENATO - Três ex-presidentes latino-americanos - o brasileiro Fernando Henrique Cardoso, o mexicano Ernesto Zedillo e o colombiano César Gaviria - deram seu apoio ao documento.

ANA - Esses estadistas chefiam a Comissão Latino-americana sobre Drogas e Democracia, que trabalha a favor de políticas mais eficazes e mais humanas no combate contra as drogas

RENATO - Na Ásia Central e no leste europeu, únicas regiões onde a epidemia de SIDA progride, o consumo de drogas é o primeiro factor de contágio.

ANA – Outros temas da conferência são a circuncisão, que protege parcialmente os homens, e os microbicidas, que poderão, um dia, proteger as mulheres.

RENATO - Quanto à vacina anti-Sida, nada realmente de novo surgiu até agora, mas a pesquisa "continua de forma muito activa", segundo um especialista presente à conferência, o professor Pierre Delfraissy.

ANA - Na véspera da Conferência de Viena, a Aliança Internacional HIV/SIDA alertou que o custo anual de combate à epidemia deverá subir muito, se os governos não investirem correctamente em medidas de prevenção.

RENATO - O custo poderá alcançar 35 mil milhões de dólares em 2030. O custo actual é de 13 mil milhões de dólares.

ANA - Segundo Alvaro Bermejo, Secretário-Geral da Conferência sobre a Sida, as autoridades encarregadas dos programas de combate à SIDA no mundo precisam aumentar a prevenção...

RENATO -... e uma maneira de fazer isto é reduzir as barreiras que impedem que grupos marginalizados --usuários de drogas, prostitutas e homossexuais-- recebam tratamento e serviços para a doença.

ANA - Os governos do Brasil e de Moçambique assinaram dois acordos referentes a questões de assistência médica.

RENATO- O primeiro cobre um projecto para prevenir e controlar o cancro em Moçambique.

Ana - O segundo consiste de um projecto-piloto do que pode ser chamado de “ tratamento comunitário”.

RENATO - Com relação ao primeiro, o ministro da Saúde, Ivo Garrido, afirmou, em discurso, que " hoje o cancro mata mais um maior número de pessoas do que doenças como a SIDA a malária”.

ANA - Garrido acrescentou: "Moçambique está a seguir neste rumo, e precisamos nos preparar em tempo oportuno”

RENATO - O treino para o programa relativo ao cancro vai ter lugar no Brasil. É de se esperar que ele resulte em melhoramentos na despistagem dos casos de cancro.

ANA - Quanto ao segundo acordo, ele trata de um projecto pioneiro que visa a dar à comunidade maior poder de resolver problemas mentais que hoje requerem hospitalização.

RENATO - Existem situações de crise, como desemprego, perda de um ente querido, ou vício de drogas que, no entender de Garrido, nem sempre devem ser enfrentados em termos médicos, mas sim, ao nível da comunidade.

ANA - A fim de implementar este projecto, um grupo de 60 moçambicanos será treinado por brasileiros em Maputo, ou ainda nas províncias de Nampula e Zambézia. Depois de treinada, a equipa de moçambicanos passará o conhecimento obtido para as comunidades locais.

RENATO - E agora, Ana, vamos abordar uma questão curiosa. É claro que ninguém quer morrer, mas já que se trata de algo inevitável, surge a pergunta: como tornar essa dolorosa experiência algo de mais suportável?

ANA - A resposta é: o melhor será ir para a Inglaterra.

RENATO - Com efeito, pesquisadores da Economist Intelligence Unit examinaram quais os lugares onde é melhor morrer e deram o primeiro lugar á Inglaterra.

ANA – A razão é que na terra de Shakespeare existe o mais satisfatório acompanhamento dado às pessoas que se aproximam do final de seus dias.

RENATO - O sistema de saúde pública britânico não é considerado dos melhores, mas os cuidados que prodigaliza aos moribundos, bem como o profissionalismo de seus hospitais dão ao país o primeiro lugar numa lista de 40 outros.

ANA - O segundo lugar é ocupado pela Austrália, seguida da Nova Zelândia e Irlanda. A Espanha aparece na 26ª posição.

RENATO - O México (36º) e o Brasil (38º) são os dois únicos latino-americanos da lista.

ANA - A pesquisa revelou que “ poucos países, inclusive ricos, e que contam com sistemas de saúde avançados, dispõem de estratégias para o acompanhamento do fim da vida”.

RENATO - Antes de encerrarmos, Ana, quero citar uma frase do famoso director do cinema americano Woody Allen: “ não tenho de morrer, só não quero estar lá quando isso acontecer...”

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