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Marcolino Moco avalia presidência angolana da CPLP

  • Agostinho Gayeta

Edifício do governo provincial de Luanda

Edifício do governo provincial de Luanda

Especialistas universitários Valentino Kaley e Elias Chuinguly falam das oportunidades que a presidência da organização oferece a Angola

A estabilidade política e militar na Guiné-Bissau vai ser debatida em Luanda

A liderança de Angola na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa desde Julho de 2010, tem sido positivamente marcada pela sua intervenção para a estabilidade política e militar na Guiné-Bissau e pelo empenho afincado na adesão da Guiné Equatorial à organização.

A reunião dos Pontos Focais de Cooperação a decorrer em Luanda de 18 à 19 do mês em curso, que por seu turno antecede a XVI reunião ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, programada para o dia 22 deste mês, deverá segundo especilistas ter em atenção estas preocupações.

Para o antigo Secretário Executivo da CPLP o facto de Angola sair de um recente conflito armado e estar a caminho das eleições é um factor a ser considerado na liderança desta organização dispersa em vários continentes. Marcolino Moco julga que a situação da Guiné-bissau deve ser um dos pontos centrais na reunião dos Pontos Focais de Cooperação.

Já o especialista em Relações Internacionais Valentino Kaley pensa que esta é uma oportunidade impar para que Angola enquanto presidente da organização aproveite demonstrar a sua maturidade política e organizacional e relançar a sua agenda estratégica, principalmente para os países mais necessitados desta estrutura.

Angola precisa igualmente afincar-se nas suas políticas internas para ajudar os países membros da organização. O poder económico do estado angolano é um factor fundamental para alcance dos desafios da comunidade. Para Valentino Kaley a situação da Guiné Bissau constitui uma prova de liderança para Angola.

Para o Docente universitário e Especialista em relações internacionais Elias Chuinguly o grande problema continua a ser o facto de a comunidade desenvolver-se apenas ao nível dos estados e não das pessoas.

Outro assunto badalado pela comunidade tem a ver com a Guiné equatorial. O facto deste país africano não ter o português como língua oficial e ter um regime político muito peculiar são, na visão de Marcolino Moco, questões problemáticas, mas que não podem servir de obstáculo à sua adesão na comunidade.

O Ex-Secretário Executivo da CPLP pensa que uma organização como a CPLP não pode ter no centro das suas atenções a vertente económica, antes, olhar para questões históricas, culturais, educativas e a formação profissional.

Para Valentino Kaley a questão cultural será o principal obstáculo da Guiné Equatorial no processo de integração da CPLP. O especialista em Relações Internacionais ressalta por outro lado os recursos naturais que este país africano possui constitui um valor acrescentado para organização dos países falantes do português.

Para o também docente universitário Elias Chinguly a livre circulação dos cidadãos entre os países membros da comunidade é fundamental para a dinamização da própria CPLP.

Ainda em relação a questão da mobilidade dos cidadãos nos países da região Valentino Kaley fala da dispersão dos países da comunidade, em termos geográfico, como um obstáculo.

Por fim Elias Chinguly defende que após está reunião do ”Pontos Focais de Cooperação”, haja mais disponibilidade dos governos com mais recursos, para ajudar na estabilidade económica dos países mais necessitados da CPLP.

Angola acolhe entre 18 e 19 do mês em curso a reunião dos Pontos focais de cooperação dos países membros da CPLP. A reunião de Luanda, de acordo com um comunicado de imprensa divulgado no sítio oficial da comunidade na internet, acontece dias antes da XVI reunião ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, programada para o dia 22 deste mês.

Angola acolhe a reunião pelo facto de assumir desde o ano passado a presidência rotativa da CPLP. A reunião dos "Pontos Focais de Cooperação" é coordenada pelo representante do Estado membro que detém a presidência do Conselho de Ministros da organização.

No âmbito da reunião do Conselho de Ministros, o grupo de trabalho de preparação da 145ª Reunião do Comité de Concertação Permanente reúne no dia 20. A 145ª reunião do Comité de Concertação Permanente é no dia seguinte.

Os "Pontos Focais de Cooperação" reúnem-se ordinariamente duas vezes por ano e, extraordinariamente, quando solicitado por dois terços dos Estados. Quando coincide com a conferência de Chefes de Estado e de Governo ou reuniões do Conselho de Ministros, a reunião realiza-se na cidade anfitriã desses eventos. Nos outros casos, a reunião tem lugar na sede da CPLP, em Lisboa.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa foi criada a 17 de Julho de 1996 como foro multilateral para o aprofundamento da amizade e da cooperação entre os seus membros.

Os objectivos gerais são a concertação político-diplomática entre seus estados membros, para o reforço da sua presença no cenário internacional, a cooperação em todos os domínios e a materialização de projectos de promoção e difusão da língua portuguesa.

Fazem parte da organização Angola, Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau, Moçambique, Cabo Verde e Timor Leste.

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