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Refugiados angolanos: Depois de perderem estatuto muitos preferem não voltar

  • Agostinho Gayeta

Aproximadamente 26 mil pessoas não querem regressar ao seu país de origem por vários motivos.

Muitos refugiados angolanos preferem não regressar

Os angolanos que ainda se encontram a residir em países vizinhos de Angola perderam no fim de Junho o seu estatuto de refugiado, conferido pela ONU depois de alargado o prazo desde 2007.

Para o professor de relações internacionais, Mayama Salazar, esta perda do estatuto reflecte a actual situação de paz e de franco desenvolvimento que o país aparenta. O analista pensa que o crescimento económico e social é a condição favorável para o efeito, mas ressalta que se deve reflectir directamente na vida dos cidadãos, o que não acontece me Angola.

O Congo Kinshasa, a Zâmbia, a Namíbia e o Botswana acolhiam cerca de 150 mil refugiados, e perto de 60 mil manifestaram vontade em regressar.

A representante em exercício do alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados em Angola, Zelmira Sinclair, disse recentemente à imprensa que dos 51 mil refugiados registados até 30 de Abril apenas 22 mil e 500 voltaram para casa.

Aproximadamente 26 mil pessoas não querem regressar ao seu país de origem por vários motivos.

Para o analista Mayama Salazar as dificuldades do dia-a-dia em Angola constitui um indicativo negativo no “feed-back” recebido pelos angolanos refugiados em países vizinhos. A perda do estatuto de refugiado vai tornar a vida mais difícil para estes angolanos asilados nos estados limítrofes de Angola.

Segundo a representante do ACNUR, problemas de ordem logística estão na base desta não-aceitação do regresso ao país de origem. Um diálogo com o governo angolano no sentido de encontrar uma solução pacífica para essas pessoas está a ser estudado referiu Zelmira Sinclair.

Entretanto o analista Mayama Salazar pensa que não existem condições logísticas para suportar o regresso dos refugiados à Angola, a julgar pela logística reforçada que requer a organização do pleito eleitoral marcado para o próximo mês de Agosto no país.

Dados do ACNUR indicam que até 22 de Junho, 15.648 refugiados já estão no país provenientes da República Democrática do Congo, país que acolhia mais de 100 mil refugiados, dos quais quase 45 mil expressaram o seu interesse em regressar. Da Namíbia já regressaram 2.356, da Zâmbia 296, do Botsuana cerca de 400 e do Congo 186 pessoas.

Um número considerável de pessoas que decidiu permanecer nos seus países de asilo aconteceu na República Democrática do Congo com 51.000 e na Zâmbia com aproximadamente 15.000 angolanos refugiados, onde o governo local deu-lhes oportunidade de legalizarem o seu estatuto uma vez que deixam de ser refugiados.

O analista pensa que neste caso está a prevalecer a boa relação entre alguns países da região austral do continente africano, mas ressalta que a aquisição de outra nacionalidade para este angolanos é uma perda para um país como Angola que precisa dos seus cidadãos para contribuírem no seu desenvolvimento.

Mayama Salazar recomenda ao governo angolano a criação de melhores condições para acolher os filhos da pátria.

Recorde-se que a Associação tratado de Simulambuco já escreveu várias vezes para o ACNUR. As cartas enviadas a 27 de Setembro de 2011 e a 30 de Março de 2012 denunciavam incursões de delegações e militares das Forças Armadas Angolanas nos campos de refugiados pressionando-os a regressarem a Angola, muitas vezes para outras províncias do país.

Os documentos também denunciam vários desaparecimentos, ameaças de morte ou mesmo assassínios.

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