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Sudão do Sul: Um ano depois os problemas continuam


Soldados do SPLA

Soldados do SPLA

O país continua a deparar-se com muitos desafios incluindo a violência ao longo da fronteira com o Sudão e a persistente crise económica.

O Sudão do Sul celebra um ano de independência na próxima segunda-feira, mas, o país continua a deparar-se com muitos desafios incluindo a violência ao longo da fronteira com o Sudão e a persistente crise económica.

Há um ano atrás depois de mais de duas décadas de guerra o Sudão do Sul tornava-se finalmente independente do Sudão.

Apesar da guerra com o Sudão ter terminado com o acordo de paz de 2005 novos desafios colocam-se ao governo de Juba.

Em Janeiro, o Sudão do Sul decidiu parar com a sua produção petrolífera em sinal de protesto pelas taxas aplicadas por Kartum para a utilização do seu oleoduto. Antes disso o rendimento do Sudão do Sul dependia em 98% do petróleo.

Segundo os analistas, apesar das medidas de austeridade tomadas pelo governo de Juba, o deficit é tão grande que o governo terá dificuldades em pagar os salários dos militares e dos outros funcionários públicos. Muitos desses militares encontram-se colocados junto à instável fronteira com o Sudão.

Para além disso, de acordo com a Human Rights Watch e com a Aministia Internacional têm-se verificado sérias violações dos direitos humanos no Sudão do Sul desde a independência. Essa é a opinião de Jihan Henry da Human Rights Watch: “ Basicamente não assistimos a grandes progressos em matéria de direitos humanos durante o primeiro ano. Houve algum trabalho por parte do governo no debate de algumas leis relevantes, mas, não foi feito o suficiente.”

Um relatório da Human Rights Watch publicado em Junho, contem severas criticas ao sistema judicial do novo país e refere-se a detenções sem culpa formada e de más condições prisionais. Jihan Henry fala igualmente de violência intercomunitária: “ A violência intercomunitária muito séria no estado de Jonglei no inicio deste ano sublinha a importância de melhorar os mecanismos de resposta através do país.”

O governo de Juba destacou as suas forças armadas para lutar contra pelo menos 7 grupos da oposição armada nos estados de Jonglei, Unity e Alto Nilo. Aldeias foram destruídas em ataques dos rebeldes e contra-ataques das forças governamentais.

A violência exacerbou igualmente a crise alimentar na região.

Apesar da conquista da independência, o futuro do Sudão do Sul encontra-se no entanto intimamente ligado ao do seu vizinho do norte.

O governo de Kartum está a lutar contra rebeliões nos estados do Kordofan do Sul e do Nilo Azul ao longo da fronteira. O grupo rebelde SPLM-Norte, que se associou ao sul durante a guerra civil sudanesa, tem vindo a lutar desde há mais de um ano e fez agora uma aliança com rebeldes na região sudanesa de Darfur.

Por outro lado centenas de milhares de sudaneses fugiram para o Sudão do Sul desestabilizando ainda mais a região.

O governo de Kartum acusa Juba de apoiar os rebeldes do SPLM-Norte frustrando quaisquer negociações entre os dois países.

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