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Milícias do Delta do Níger ameaçam retomar os ataques

  • Heather Murdock

Milicias do Delta do Niger num campo de operações (Arquivo)

Milicias do Delta do Niger num campo de operações (Arquivo)

Antigos combatentes dizem que as promessas do presidente nigeriano não foram cumpridas, e que continuam desempregados

Delta do Niger: Milícias ameaçam retomar os ataques

Na Nigéria, milhares de antigos milícias do Delta do Níger estão a regressar as suas casas após uma acção de formação profissional, no âmbito do acordo de paz de 2009.

Contudo muitos deles queixam-se do desemprego e da falta de ajuda que no passado forçou-lhes a tornarem-se em guerrilheiros.

Heather Murdock da VOA enviou uma reportagem e diz que muitos dos antigos milícias ameaçam pegar em armas se a situação não mudar.

Dennis, um antigo guerrilheiro do Delta do Níger diz que após 3 anos do acordo de paz, a principal fonte do conflito na região ainda persiste. Diariamente são produzidos dois milhões e meio de barris de petróleo nessa região ao sul da Nigéria, mas as pessoas continuam cada vez mais pobres.

“Eles exploram o petróleo e vendem-no no estrangeiro. Recebem dinheiro, mas nós, os donos da terra não recebemos nada. Não beneficiamos de nada.”

Dennis faz parte dos mais de 26 mil antigos milícias conhecidos localmente como “the boys – os rapazes” que abandonaram as armas em 2009 em troca de formação profissional e de indemnização financeira.

No momento do regresso a casa, com diplomas de carpinteiros, operadores de máquinas e de soldadores subaquáticos, queixam-se que não têm tido emprego e o programa de amnistia está minado pela corrupção. Alguns até afirmam não ter outra alternativa senão voltar a pegar em armas e atacar as companhias petrolíferas como meio de sobrevivência.

O antigo presidente da assembleia estadual do Delta do Níger, Ferdinand Kent Omatsone diz que a falta de oportunidades é que esteve na origem do conflito anos atrás.

“Não há recursos. Não há iluminação pública, não há electricidade. Não há infra-estruturas.”

Outros antigos milícias à semelhança do Capitão Mark Anthony dizem que a amnistia apenas privilegiou os verdadeiros agressores, afirmando que são as companhias petrolíferas que estão a roubar o povo. Anthony realça que o grupo tem armas escondidas e está pronto para a luta, se o governo não compensar financeiramente os seus membros. Ele considera a amnistia de uma vergonha e que as promessas do presidente Yar’Adua não estão a ser cumpridas. Precisou que a região continua subdesenvolvida a degradação persiste e a poluição ambiental continua presente.

Tonye Emmanuel Isenah vice-presidente da assembleia do Estado de Bayelsa rico em petróleo, diz por sua vez que não responsabiliza os milicianos pelo conflito, mas está confiante que essa disputa está no fim.

“Os nossos jovens têm pegado em armas. Eles têm visto o perigo que isso representa. Enviaram a mensagem e despertaram as atenções do governo federal e foram formados profissionalmente. Não penso que queiram voltar atrás.”

Os raptos continuam a ser comuns no Delta do Níger. O governo e as companhias petrolíferas estão a perder mais de mil milhões de dólares por mês em roubos de petróleo. Refinarias ilegais estão a ser operadas ao longo dos rios e enseadas, apesar de massivos esforços para acabar com essas operações.

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