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Risco de guerras tribais no norte do Mali

  • Ann Look

Forças tuaregues e islamistas que controlam o norte do Mali estão em negociações com a CEDEAO através do presidente do Burkina Faso, Blaise Campaoré

Forças tuaregues e islamistas que controlam o norte do Mali estão em negociações com a CEDEAO através do presidente do Burkina Faso, Blaise Campaoré

Anunciada união das milícias para lutar contra a ocupação Tuaregue e Islamista pode alimentar veleidades tribais e revanchistas - diz especialista

Mali: milicias unem-se contra as forças ocupantes

No norte do Mali, as milícias populares anunciaram a união para lutar contra os rebeldes Tuaregues e Islamistas que assumiram o controlo da região no início de Abril.

Apesar das suas actividades serem até ao momento mínimas, o anuncio desta aliança tem alimentado receios de o conflito resvalar-se para violência intercomunitária.

A Frente de Libertação do Norte do Mali – FLNM – é composta de três principais grupos de milícias na região: duas milícias Songhai, Ganda Koy e Ganda Izo, bem como de combatentes sob o comando de um coronel Tuaregue do exército, El Hadji Gamou.

A FLNM foi criada em Maio para contrapor a conquista por rebeldes tuargues e militantes islamistas do norte do país depois do caótico golpe militar em Bamako a 22 de Março.

Idrissa Fall do serviço francês da Voz da América entrevistou o chefe militar da Frente de Libertação do Norte do Mali, El Kahedi Cissé, na cidade de Gao, que disse que levaram a cabo dois ataques com sucesso contra militantes islamistas, e que estão a recorrer a métodos de guerrilha que chama de estratégia “1 contra 10” na luta com os seus adversários, que estão armados com artilharia pesada, lança-granadas e outros equipamentos pesados.

Cissé adiantou que o seu grupo prevê intensificar os ataques, com o objectivo de liberar o norte do Mali, e que continuarão activos até que a região se vê livre da ocupação.

O exército maliano tem dificuldades em se reorganizar depois do golpe do mês de Março. O futuro do governo civil em Bamako continua incerto. Os presidentes dos países da região deram início a negociações separadas com as duas forças de ocupação e estão a formular planos para uma intervenção regional no caso do falhanço de um acordo.

Ivan Guichaoua um especialista em movimentos rebeldes tuaregues diz haver duas vias para a interpretação da recentemente criada FLNM.

“Primeiro, são pessoas ávidas para lutar, não apenas para assinalar que estão contentes em armar-se, se alguém quiser os fornecer armas. Segundo, pode ter a ver com o facto de terem recebido algum apoio e que devem estar operacionais. Mas até ao momento não tem havido nenhuma evolução nessas frentes. E pode-se ver claramente que existem projectos de contra-insurreição através das milícias. Poderá ser uma mudança não muito bem acolhida para o actual conflito que poderá basicamente tornar-se numa guerra tribal.”

Ivan Guichaoua adianta que as negociações à porta-fechada entre os líderes rebeldes e o presidente burquinabe Blaise Campaoré na ausência das autoridades malianas poderão catalisar esses movimentos de massa para a contra-insurreição no norte do Mali. O acordo de paz que pôs fim a rebelião tuaregue em 1990 foi contestado, por outros grupos no norte que se sentiram excluídos, e que agora, como ultimo recurso podem recorrer a violência.

“Houve uma mudança em 1990. A rebelião liderada pelos tuaregues transformou-se numa terrível guerra tribal entre os grupos tuaregues – alguns leais a Bamako, outros ainda contestatários da hegemonia de Bamako – e os grupos não tuaregues, particularmente o Ganda Koy.”

Segundo ainda esse interlocutor, os Ganda Koy são conhecidos pela sua extrema violência e abusos dos direitos humanos, incluindo assassinatos de civis.

O certo é que enquanto aumenta o desespero nas cidades do norte, muitos residentes já saíram a rua para repetidamente protestarem contra as forças ocupantes.

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