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Angola diz “não” a um regresso a Bissau

  • Agostinho Gayeta

Ex-primeiro-ministro Carlos Gomes Junior votando em Bissau

Ex-primeiro-ministro Carlos Gomes Junior votando em Bissau

O governo angolano respondeu negativamente ao apelo do secretário de Estado da Segurança e Ordem Pública do governo de transição da Guiné-Bissau, Basílio Sanca, sobre o regresso e a continuidade do apoio de Angola a Bissau

Angola diz “não” a um regresso a Bissau

O governo angolano respondeu negativamente ao apelo do secretário de Estado da Segurança e Ordem Pública do governo de transição da Guiné-Bissau, Basílio Sanca, sobre o regresso e a continuidade do apoio de Angola a Bissau.

Três semanas depois da retirada completa da MISSANG na Guiné-Bissau o secretário de Estado da Segurança e Ordem Pública do governo de transição, Basílio Sanca, pediu na última Quarta-feira o regresso da missão militar angolana para que sejam retomados os projectos de apoio ao país, "consubstanciados na reabilitação e construção" de estruturas do Governo e reestruturação das Forças Armadas deste país lusófono. O governante guineense falava em São Domingos no norte da Guiné Bissau.

Segundo o ministro angolano das Relações Exteriores "o actual governo de transição na Guiné-Bissau não acomoda uma parte importante do PAIGC que é o vencedor das eleições anteriores, logo aí há um problema de legitimidade" deste executivo, frisou Georges Chicoti na Itália, onde terminou uma visita oficial na última Quarta-feira.

Analistas em Luanda estão divididos e com opiniões opostas. Apontam duas possibilidades: Uns apoiam a retomada do apoio angolano a Bissau para limpar a imagem negra de Angola no campo diplomático a nível da CEDEAO e por outro lado, a julgar pelos 10 milhões de dólares gastos e por se tratar de um país membro da CPLP. Outros reprovam o regresso por se tratar de um governo “ilegítimo” que resultou de um acto inconstitucional

A forma como Angola retirou-se de Bissau é uma vergonha do ponto de vista da diplomacia internacional. Uma negociação sobre a proposta, seria na visão do analista Valentino Kaley uma surpresa positiva.

Elias Chinguly é docente universitário e analista de relações internacionais. O académico reprova o regresso do apoio angolano à Bissau e diz que a aceitação seria um acto de incoerência diplomática, dada a ilegitimidade do governo de Bissau.

Por outro lado o académico Valentino Kaley reconhece que o actual do governo de transição da Guiné-Bissau não é legítimo, mas reafirma que o casamento entre Luanda e Bissau seria uma questão de Angola arriscar, desde que a situação do país e da região ocidental de África fosse analisada ponto por ponto.

A retomada do apoio angolano a Bissau pode colocar em causa as relações entre Luanda e a CEDEAO, que emitiu uma resolução onde espelha a retirada da MISSANG e o envio de uma força militar conjunta da região para garantir a normalização em Bissau.

Elias Chinguly pensa que as relações entre Angola e Comunidade de Desenvolvimento da África Ocidental não são baseadas nas questões estruturais nem no sistema de manutenção de paz no continente e justifica.

Na última quinta-feira, 21 de Junho o ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior que, esteve em Luanda, agradeceu o povo angolano e ao chefe do executivo pela solidariedade prestada durante o golpe de estado de 11 de Abril deste ano.

O antigo primeiro-ministro de Bissau que falava à saída da audiência com o chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, reconheceu na ocasião o papel desempenhado pela MISSANG no seu país.

Carlos Gomes Júnior disse acreditar no retorno à ordem constitucional no seu país e manifestou-se em condições de voltar a exercer as suas funções.

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