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Mohamed Morsi promete um governo de unidade nacional no Egipto

  • Elizabeth Arrott

Mohamed Morsi primeiro presidente democraticamente eleito no Egipto

Mohamed Morsi primeiro presidente democraticamente eleito no Egipto

Presidente eleito da Irmandade Muçulmana já iniciou os contactos para formação do executivo que deverá contar com vários vice-presidentes

Mohamed Morsi promete governo de unidade

No Egipto o recém-eleito presidente Mohamed Morsi deu início a formação de um governo de unidade nacional.

Morsi foi declarado ontem como vencedor das eleições presidenciais pela Comissão Eleitoral, e é o primeiro presidente civil eleito do país.

Este líder da Irmandade Muçulmana venceu o seu adversário e antigo primeiro-ministro Ahmed Shafiq ao obter cerca de 52 por cento dos votos.

Mohamed Morsi está concentrar os esforços para a criação de um governo civil, respeitando as suas promessas de nomear alguns vice-presidentes.

Primeiro presidente eleito

Mohamed Morsi da Irmandade Muçulmana vai ser o primeiro presidente egípcio livremente eleito, depois do anúncio dos resultados oficiais, ontem.

No início da campanha eleitoral a correspondente da VOA, Elizabeth Arrott o visitou o líder islamista na sua aldeia natal, ainda no momento que se preparava para a sua longa caminhada ao palácio presidencial.

Diz ela há poucos meses atrás, era quase remota a hipótese de Mohamed Morsi ser eleito como o primeiro líder pós-revolução no Egipto.

Mas em Edwa, a sua terra natal a leste do Delta do Nilo, ninguém duvidava que Morsi viesse a ocupar uma tal posição.

Durante ainda um comício de campanha, o candidato da Irmandade Muçulmana não perdeu de vista os seus objectivos políticos e partilhou com os residentes de Edwa a sua modéstia origem.

“Nós não nascemos com colheres de ouro na boca” relembrou Morsi aos seus apoiantes. Disse também que o seu pai “trabalhou duro” e sempre levou-o consigo ao trabalho no dorso de um jumento.

Foi um momento ímpar numa rara conexão pessoal com o público que o ouvia. Era um discurso necessário e perante uma grande audiência onde muitos o consideravam de rígido, um carácter que em partes confirmava a sua já conhecida reputação de líder sem carisma.

A sua esposa, Nagla Ali era as vezes forçada a sair em sua defesa, dizendo que que não o considera de comediante mas que ele tem o senso de humor. Ele é sério nos momentos de seriedade, e extrovertido nos momentos próprios” adiantava na ocasião a futura primeira-dama egípcia.

Morsi é formado em engenharia nos Estados Unidos e os seus filhos até têm a nacionalidade americana.

Muitos dos seus opositores não consideram de boa natura a sua proveniência política – a Irmandade Muçulmana. Ele lidera a ala esquerda dessa formação política, e é descrito pelos seus opositores como tendo feito muito pouco para atenuar as dúvidas que pairam na comunidade cristã e entre as mulheres, com relação as posições defendidas pelo partido.

O eleito presidente egípcio vê-se assim obrigado a forjar num futuro breve um jogo de alianças entre as diversas correntes religiosas. Na sua governação, prevêem os analistas, ele deverá igualmente contar com o contributo de outros candidatos derrotados, entre eles, Abdullah al Ashaal.

“Ele enquanto presidente deverá ser apenas um guarda-chuva de protecção para todos os outros que não se identificam com a Irmandade Muçulmana.”

Mas muitos afirmam que seja lá o que Mohamed Morsi defender, a Irmandade Muçulmana, não é no fundo uma simples organização de beneficência.

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