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Angola: Professor universitário publica livro sobre ética jornalística

  • Agostinho Gayeta

“Ética Profissional de Jornalismo” é o título do livro publicado recentemente em Luanda pelo professor universitário Gabriel Tchingando.

Lançado livro em Luanda sobre ética do jornalismo

“Ética Profissional de Jornalismo” é o título do livro publicado recentemente em Luanda pelo professor universitário Gabriel Tchingando.

Com 118 páginas, a obra lançada a 14 de Junho em Luanda é fruto de um trabalho aturado sobre os problemas ligados à ética, e à deontologia no exercício da actividade jornalística em Angola.

Gabriel Tchingando explicou à “Voz da América” as razões que o levaram a produzir um trabalho científico desta dimensão.

O livro retrata, entre outras, questões ligadas aos fundamentos e paradigmas de ética de jornalismo, a liberdade de informar e de ser informado e a responsabilidade da liberdade de expressão.

O professor de ética e deontologia do curso de comunicação social da Universidade Agostinho Neto pensa que a justiça e a honra informativa bem como os critérios informativos de intimidade são aspectos que muitas vezes confundem-se em Angola, o que leva muitos profissionais às barras dos tribunais e consequentemente à cadeia.

Para o autor do livro, os órgãos de justiça confundem a esfera pública e a privada e muito mais uma outra a que chamou de “esfera íntima”. Os aspectos da esfera privada que são de interesse público quando publicados, diz o autor, são veementemente condenados.

Gabriel Tchingando explica que no exercício da actividade jornalística existem valores diante dos quais as verdades devem ser relativizadas se estiver em causa a vida humana.

Tchingando diz por outro lado que a legislação angolana é muito vaga no que respeita aos chamados crimes contra segurança de estado que já levou pacatos cidadãos e profissionais de jornalismo ao tribunal.

O docente universitário apelou a esse respeito à Assembleia Nacional para tipificar os crimes contra segurança do estado e de espionagem.
Aquele professor universitário pensa que a caminho das eleições gerais o jornalismo angolano anda um pouco à margem da ética profissional.

Tchingando explica que há confusão, por causa das censuras a que muitas redacções são submetidas. Os exemplos mais claros são algumas pressões políticas que interferem na actividade dos profissionais e de muitos órgãos, principalmente os estatais.

Acrescentou que antes, durante e após as eleições a os meios de comunicação angolanos têm um papel preponderante e o seu desempenho pode contribuir para o justo resultado do pleito eleitoral.

Gabriel Tchingando acredita que o mau trabalho dos profissionais de jornalismo pode beliscar as eleições de 31 de Agosto, e apela ao equilíbrio, à imparcialidade, à isenção, e sobretudo à ética e à verdade profissional na divulgação das notícias.

A ética jornalística garante a prestação de um serviço impagável à sociedade porque visa a auto-regulação dos media, o senso, a decência e a excelência do jornalismo, concluiu o autor do livro “Ética Profissional de Jornalismo” lançado a 14 Junho, e cujo preâmbulo foi escrito por Nsiona Bole Casimiro, decano dos jornalistas angolanos e membro fundador do MISA_Angola.

Gabriel Tchingandu nasceu em Janeiro de 1973, em Londuimbali (Huambo). Há mais de vinte anos reside em Luanda.

Fez os estudos primários em Catete, secundários em Ndalatando e Uíje. Formou-se em Filosofia e Teologia no Seminário Maior de Luanda, tendo sido ordenado padre da Igreja Católica em 2003. Está igualmente licenciado em comunicação social institucional pela Universidade Pontifícia de Santa Cruz (Roma, Itália).

Trabalhou em diversos organismos sociais e eclesiásticos da Igreja Católica em Luanda e Itália. Há cinco anos docente da Universidade Agostinho Neto, onde tem leccionado as cadeiras de Retórica e Argumentação, Ética e Deontologia, Fotografia e Filmagem, Comunicação e Opinião Pública; há dois anos lecciona a cadeira de Língua Portuguesa no Instituto Superior Politécnico Kangonjo de Angola (ISKA).

Tem também vários artigos publicados em diversos periódicos e websites tais como a Aurora, o Angonoticias, Semanário Angolense, e Angelus.

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