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Moçambique: Raptos preocupam comunidade muçulmana


 Mercado central de Maputo

Mercado central de Maputo

A misteriosa onda de raptos começou em Dezembro passado, tendo por alvo um pequeno número de empresários muçulmanos ricos e suas famílias. Não se sabe quantos, mas informações dão conta de que mais de 14 raptos foram até agora participados à Polícia.

Moçambique: Raptos preocupam comunidade muçulmana

Nos dias que correm pode ser um risco acorrer a chamada para as orações. Raptores têm apanhado pessoas que saem das mesquitas.

A misteriosa onda de raptos começou em Dezembro passado, tendo por alvo um pequeno número de empresários muçulmanos ricos e suas famílias. Não se sabe quantos, mas informações dão conta de que mais de 14 raptos foram até agora participados à Polícia.

Em alguns casos famílias tiveram de pagar mais de dois milhões de dólares pela libertação de entes queridos.

Até agora, uma nuvem de silêncio tem rodeado esses crimes. Em vez disso, notícias veiculadas pela imprensa moçambicana contribuíram para um clima de receio entre os muçulmanos e para alimentar rumores sobre quem são os responsáveis pelos raptos.

Poucos estão preparados para falar em público sobre o que está a acontecer. As pessoas têm medo, como nos diz Shahid Omar, um crente numa mesquita em Maputo:

“Isto é um grande problema porque agora não se pode andar livremente….pessoas dizem coisas acerca dos indianos, de pessoas sem escrúpulos, que talvez polícias estejam envolvidos nos raptos. Enfim não sabemos.”

A Polícia tem vindo a trabalhar sem parar para saber quem esta por detrás dos raptos. O porta-voz da Polícia em Maputo, Arnaldo Chefo, disse que o principal obstáculo tem sido a falta de cooperação das famílias das vítimas.

Quatro milhões de moçambicanos são muçulmanos, mais de 15 por cento da população. Os laços do país ao mundo islâmico vêm desde os tempos pré-coloniais. Os muçulmanos em Moçambique têm sido tradicionalmente comerciantes e empresários.

Muslim Yusuf Ahmat disse ser um erro pensar que os raptores estão a alvejar os muçulmanos em geral, já que os raptores têm por alvo apenas os de origem indiana ou paquistanesa:

“De facto não é a comunidade muçulmana. A comunidade muçulmana não é só formada por pessoas de origem asiática. Como se pode ver na mesquita estamos todos misturados. Os raptados têm sido asiáticos, especialmente os empresários. “

Vinte anos depois do fim da guerra civil que deixou a economia de Moçambique de rastos, o país está agora a caminho de um boom. Vastas quantidades de carvão e depósitos de gás natural estão a atrair investidores estrangeiros.

Muçulmanos como o Xeique Cassimo David estão preocupados pelo facto desses crimes por descobrir estão a amedrontar:

“Com esses acontecimentos, esses assassínios irão assustar as pessoas a virem à mesquita, por isso o governo tem de fazer alguma coisa.”

As autoridades moçambicanas dizem terem feito dezenas de prisões ligadas aos raptos depois de terem partilhado informações com líderes muçulmanos na semana passada. E estão desejosos de provar que Moçambique é seguro para os muçulmanos e para os negócios.

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