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Aumenta a frustração na Nigéria depois dos ataques bombistas

  • Ann Look

Incêndio de uma viatura armadilhada usado nos ataques da Boko Haram

Incêndio de uma viatura armadilhada usado nos ataques da Boko Haram

Mais de oitenta pessoas foram vitimas dos actos terroristas da Boko Haram no norte do país, durante os três dias dos ataques

Três dias de morticínios ao norte da Nigéria intensificaram as críticas à forma como o governo enfrenta a seita militante islâmica, Boko Haram, cujos ataques mataram centenas de pessoas este ano, apesar do reforço das medidas de segurança.

O grupo militante tem levado a cabo assaltos cada vez mais sangrentos desde 2010,sendo as forças de segurança o alvo principal da seita. Todavia, Boko Haram ataca também cada vez mais alvos civis, particularmente cristãos.

Os residentes da cidade de Maiduguri, ao norte da Nigéria, a sede da seita, dizem ter perdido a confiança na liderança e nas forças de segurança do país. Olanerewaju, de Maiduguri, que pediu para não ser identificado.

“Não têm a coragem e a competência para enfrentar o problema. Se não se podem proteger a si próprios como podem proteger os cidadãos? É a situação em que nos encontramos…muito perturbadora…não há esperança de que o problema seja resolvido dentro em breve.”

Na Segunda-feira, suspeitos militantes do Boko Haran atacaram a polícia e alvos de segurança na cidade de Damaturu, ao norte do país. As autoridades estaduais impuseram o recolher obrigatório de 24 horas a cidade,enquanto o tiroteio entre os militantes e as forças de segurança continuou até a Terça-feira, afirmando fontes hospitalares que pelo menos 40 pessoas morreram na acção.

A violência em Damaturu seguiu-se aos disturbios do domingo no estado de Kaduna, onde Boko Haran atacou três igrejas, matando 16 pessoas, ataques que geraram represálias dos cristãos contra os muçulmanos, tendo morrido na confrontação 52 pessoas. As autoridades de Kaduna impuseram o recolher obrigatório de 24 horas à cidade.

O conselheiro nacional de segurança da Nigéria, General Owoye Azazi, disse que os líderes religiosos em Kaduna estão a trabalhar para acalmar os ânimos.

“Iniciativas estão em curso… como nação e povo…a nossa postura não deve ser a de nos matarmos uns aos outros.”

O General Azazi disse que as forças de segurança, ajudadas pelas informações recolhidas entre as populações, têm feito progresso na luta contra Boko Haran em algumas áreas.

Por sua vez, a Associação Cristã da Nigéria afirma que a resposta do governo contra os insurrectos tem sido, nas suas palavras, de respeito, e que o Presidente não tem feito nada no sentido de pressionar para que se ponha fim aos ataques bombistas e assaltos armados directos.

Analistas têm observado desde há muito que os ataques contra os cristãos em Kaduna e no resto da zona volátil do centro do país, poderão gerar uma situação de violência mais generalizada numa região onde confrontos sectarios em que morrem centenas de pessoas, tem sido parte da sua vivência de séculos,não apenas dos últimos anos.

O chefe do Congresso dos Direitos Cívicos da Nigéria, sediado em Kaduna, Shehu Sani, disse que os ataques de represália, tem tornado pior a situação.

“Boko Haran tem sempre desejado que os muçulmanos sejam uma força na defesa dos seus interesses…quanto aos cristãos, se eles chegarem a formar alianças com os muçulmanos, como força legitima de retaliação…seria uma força muito difícil de enfrentar, tanto para o Boko Haran como para as autoridades nigerianas.”

Os líderes do norte da Nigeria continuam a fazer apelo ao diálogo para pôr fim aos insurrectos Boko Haran. Enquanto, por sua vez, o General Azazi afirma que os esforços para o diálogo estão em curso e que não é demasiado tarde para resolver o impasse.

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