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Cerveja Pampa regressou à Guiné -Bissau


Fábrica da Pampa

Fábrica da Pampa

Fabrica pretende aumentar produção dez por cento ao ano

Por entre golpes de estado, conflitos e outras sublevações, uma constante para muitos países oeste africanos tem sido a presença de uma cerveja nacional.

Depois de ter passado muitos anos sem uma, a Guiné-Bissau conta agora reviver a sua, após a reabertura da sua única fábrica de cerveja.

Actualmente contudo a antiga colónia portuguesa, actualmente com um milhão e 600 mil habitantes, encontra-se presentemente no meio de uma delicada crise de identidade no que se refere a cerveja.

A Pampa recomeçou a sua produção em Março depois de um longo hiato mas tem ainda de recapturar o mercado que já teve contra competidores portugueses, assim como altamente populares bebidas sazonais de sumo e vinho de cajú.

A directora comercial da Pampa, Ben Nair Lopes da Costa, não pensa que se tenha de preocupar muito com isso.

Ela disse que o grupo que está agora a explorar a fábrica Pampa é mais estável do que os anteriores proprietários, a qualidade da cerveja melhorou e os técnicos têm melhor experiência.

A Pampa teve nas últimas décadas uma história aos solavancos, tal como a Guiné-Bissau.

A marca foi fundada por investidores portugueses quando o país obteve a independência em 1974, tendo sido nacionalizada e adquirida por guineenses alguns anos mais tarde.

A empresa mudou de mãos umas quantas vezes depois disso, antes de encerrar completamente as suas portas em 1998 quando a economia do país entrou em colapso em consequência de uma guerra civil de dois anos.

Ainda assim, sobrevivendo quase à bancarrota e a guerras, a Pampa tem persistido. No final de 2010, um grupo de investidores marroquinos sob o nome Holding ABC, Incorporated, comprou a fábrica e refez a marca da cerveja.

No interior da fábrica uma larga cuba de cobre contém todos os ingredientes que dão à Pampa o seu sabor fresco e agradável de malte. Nair da Costa disse que a chave do seu paladar único é a água.

Nair disse que utilizam água mineral natural da Guiné-Bissau bombeada de uma profundidade de 160 metros.

De acordo com um estudo de mercado, os guineenses consomem anualmente, em média, 15 a 20 milhões de litros de cerveja. O objectivo da Pampa é vender três milhões de litros no final do ano e 10 por cento mais em cada ano que passa. Antes da guerra civil a Pampa vendia anualmente cinco milhões de litros.

Mas a competição ainda coloca desafios para a empresa. A importada cerveja portuguesa Cristal domina nos cafés e bares da cidade. E o vinho de cajú, na sua época, é uma bebida fresca e fortemente fermentada que se vende nas ruas por menos de um dólar.

Nair disse que o maior obstáculo da Pampa é que tem de importar do estrangeiro 90 por cento dos seus ingredientes, incluindo malte, açúcar, garrafas, cápsulas e cartões de embalagem.

Afirmou que a cerveja Cristal tem uma vantagem competitiva sobre a Pampa porque não tem o problema de taxas de importação, bem como a interrupção nos fornecimentos.

De facto, o malte que a Pampa tem de importar vem da Bélgica através de Portugal. Ainda assim, os proprietários da Pampa pensam que os guineenses começarão a aparecer e esperam capitalizar a sua sede por uma cerveja local. Afinal de contas, o Senegal tem a Flag e a Gazelle, o ganenses bebem Star e os gambianos podem desfrutar da Julbrew.

Nair da Costa disse que os guineenses preferem a Pampa quando a experimentam pela primeira e são muito nacionalistas e orgulhosos dos produtos locais. Querem apoiar a economia do país.

Uma vista de olhos por uma das mais populares discotecas de Bissau mostrou que a maioria dos seus clientes bebia Cristal. Um empregado de nome Alberto afirmou que as pessoas sabem que a Pampa esta novamente disponível mas que ainda gravitam ao redor da cerveja importada. Tanto a Cristal como a Pampa custam um dólar ou um dólar em meio dependendo do local, por isso o preço não é um factor muito significativo.

E quanto aos altos funcionários e elites da Guiné-Bissau? Será que irão beber uma cerveja local em vez de uma importada? Quando interrogado sobre a sua preferência, o Procurador-Geral da República, Amine Saad, torceu o nariz antes de dizer diplomaticamente que era ….. um “homem de whiskey”.




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