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Poderá o Mali ser um novo Afeganistão?

  • Anne Look

A talibanização do norte do Mali

Radicalização dos estados norte do Sahel

Os militantes islamitas parecem controlar uma grande superfície do deserto no norte do Mali que capturaram, no início de Abril, com um outro grupo rebelde.

Extremistas do Paquistão e da Nigéria parecem terem convergido para aquela região. Alguns analistas e dirigentes mundiais consideram que a região pode transformar-se num reduto para actividades terroristas.

Poderá o Mali ser um novo Afeganistão?

Os analistas consideram que as condições actuais no norte do Mali em pouco se parecem com o Afeganistão na década de noventa quando os Talibã se apoderaram do poder, criando um reduto para o terrorismo do qual Osama bin Laden conspirou os ataques de 2001 nos Estados Unidos.

Mas militantes islamitas amigos da al-Qaida no Mali parecem estar a obter vantagem sobre outros grupos rebeldes para controlarem o norte.

Kwesi Aning é o director do Centro de Treino Internacional Kofi Annan, que tem acompanhado o aumento de grupos armados e do extremismo na região africana do Sahel.

“Não se trata apenas da talibanização do norte do Mali. Trata-se da radicalização dos estados norte do Sahel como a Mauritânia, o norte do Mali, partes do sul do Burkina Faso e do norte do Níger. É por isso que a comunidade internacional com a ECOWAS deve assegurar que o Mali tem de ser resolvido, por que se o Mali cair, os efeitos de dominó serão assustadores”.

O norte do Mali constitui uma zona de deserto difícil de patrulhar que se estende desde a Mauritânia ao Chade e tem sido invadida por traficantes, terroristas e sequestradores à procura de recompensas.

Ainda antes da crise, as nações do Sahel tinham problemas em cooperar e desenvolver uma estratégia regional para fazer face à ameaça.

O presidente do Niger Issoufou deslocou-se a Paris para um encontro com o Presidente François Hollande, tendo afirmado que o norte do Mali “ constitui uma ameaça que exige uma resposta internacional”.

Issoufou afirmou que os jihadistas e os contrabandistas de drogas constituem as forças dominantes no norte do Mali. Outras forças, com outros objectivos são marginais.

Segundo Issoufou, nacionais afegãos e paquistaneses encontram-se no norte do Mali treinando militantes recrutados nos países da África Ocidental.

A Ecowas indicou estar pronta a enviar vários milhares de soldados para o Mali, mas os analistas indicaram à Voz da América que uma força daquele género levará tempo a ser organizada e necessita de dinheiro para ser criada.

O presidente Issoufou acrescentou que haverá necessidade de apoio logístico por parte dos Estados Unidos, da França e de outras nações, bem como do envolvimento de nações vizinhas não membros da ECOWAS, como a Mauritânia e Argélia.

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