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Golfo da Guiné: Peritos debatem os paradoxos da riqueza de petróleo

  • José Manuel

Os países do Golfo da Guiné produtores de petróleo não conseguiram até ao momento promover o desenvolvimento social a partir da riqueza petrolífera

Os países do Golfo da Guiné produtores de petróleo não conseguiram até ao momento promover o desenvolvimento social a partir da riqueza petrolífera

Conferencistas e membros da Sociedade Civil vão apresentar os casos da pobreza extrema em países ricos em recursos petrolíferos

Membros da sociedade civil angolana participam numa conferência a ter início amanhã em Abuja na Nigéria sobre a pobreza nos países produtores de petróleo da região do Golfo da Guiné.

A questão da distribuição da riqueza proveniente do petróleo vai estar no centro dos debates de casos de países como Angola e Nigéria.

Angola e Nigéria disputam a hegemonia de maiores produtores de petróleo no Golfo da Guiné.
Duas grandes economias de petróleo cuja riqueza não se reflecte na vida das suas populações.
A redistribuição da riqueza gerada da produção petrolífera nos países do Golfo da Guiné é que mais críticas têm recebido dos vários sectores da economia mundial e da sociedade civil.
Angola e Nigéria são pelo menos duas realidades sócio económicas que deixam muito a desejar para as suas populações. Os Seus governantes são constantemente mencionados em práticas de corrupção e descaminho de fundos do estado.
A região é economicamente complexa e os seus problemas políticos são difíceis de analisar se comparados com as riquezas que possuem.
Ken Hurwitz, um especialista anti-corrupção de Nova Iorque. É de opinião que a sociedade civil dos países que compõem o Golfo da Guiné deveriam mobilizar para o que chamou de revolução da consciência popular para o controlo do poder e a gestão transparente dos fundos petrolíferos.
para Ken, as realidades socio-económicas variam de pais para pais em função das riquezas que cada pais possui.
“Devem existir movimentos populares coordenados em todos os pais para influenciar a população de modos a exercer maior pressão para as reformas nesses países” afirma o especialista para quem a realidade de pobreza não foge em quase toda a parte.
“Basta olhar para a queda do murro de Berlim para a creditar nas mudanças que podem surgir com os movimentos cívicos” observou Ken.
Em termos comparativos Nigéria supera angola em termos de extensão territorial e pelo número de habitantes. Com uma população estimada em cerca de 152,2 milhões de habitantes e com um produto interno bruto estimado em 216 bilhões de dólares, o país apresenta ainda índices elevados de subdesenvolvimento humano. Oitenta por cento da população está mergulhada na miséria. Pelo menos é a imagem que se pode tirar de Lagos e Abuja duas das maiores cidades deste país.
Noventa por cento dos residentes não tem acesso a água potável, abastecimento regular de luz eléctrica, deficiente rede sanitária e pouco investimento nas infra-estruturas públicas.
Um quadro que se assemelha a angola que não obstante produzir cerca de 1.800 mil barris de petróleo dia e ter apenas cerca de 16 milhões de habitantes apresenta ainda graves problemas energéticos, de fornecimento da água potável e um deficiente saneamento básico.
A estimativa de crescimento da economia angolana e do produto interno bruto é de 10,8% estimado acima dos 90 bilhões dólares.
Angola enfrenta a necessidade de melhorar o sistema cambial e a gestão financeira pública e os pesados desafios de reduzir a pobreza e o desemprego.
Mis do que as estatísticas, a realidade socio-económica fala por si. Miséria generalizada, infra-estruturas públicas degradadas, falta de saneamento do meio, energia eléctrica, água potável e condições de vida dignas às suas populações.
Essas dificuldades, são mais reflectidas em zonas que mais petróleo produzem.
O enclave de Cabinda é de resto a região que segundo a sociedade civil é das mais penalizadas. Não existem grandes projectos de desenvolvimento de infra-estruturas públicas e de melhoria das condições de vida da sua população.
Os empresários queixam-se de constantes descriminações por causa do seu contexto político.
Recentemente, cerca de 22 importadores de cimento foram excluídos da lista de importadores e foram reduzidas as quantidades de produto ano.
O custo de vida é bastante elevado e agrava-se pela inexistência de um porto de longo curso em virtude da sua insularidade.
Estas questões e outras que afectam as zonas de maior produção de petróleo serão debatidas amanham na conferência que junta vários especialistas e membros da sociedade civil dos países do Golfo da Guiné.

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