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Vírus HIV/SIDA atinge mais de 15% das mulheres na Zambézia

  • Ana Guedes
  • Jaime Faria

A prevalência do HIV/SIDA é muito elevada entre as jovens mulheres (foto de arquivo)

A prevalência do HIV/SIDA é muito elevada entre as jovens mulheres (foto de arquivo)

A alta taxa de seroprevalência nas mulheres jovens ficou conhecida como a “feminização” do HIV/SIDA.

Taxa de seroprevalencia é muito alta entre as mulheres

As mulheres jovens da província da Zambézia constituem a população mais afectada pelo vírus causador da SIDA.

Dados apresentados em Quelimane, na Zambézia, durante a reunião provincial de resposta à problemática do HVI/SIDA, indica que a taxa de seroprevalência nas mulheres jovens é bastante alta, situando-se neste momento em 15,5 por cento contra os 8,9 nos homens, fenómeno que ficou conhecido como sendo a “feminização” do HIV/SIDA.

O coordenador do Núcleo Provincial de Combate à SIDA, na Zambézia (NPCS), Armando Gemuce, descreveu o perfil epidemiológico como sendo extremamente preocupante, havendo indicações de que as mulheres e jovens residentes nos centros urbanos são os mais infectados e vulneráveis comparativamente aos jovens da zona rural.

Gemuce disse ainda no encontro em que participaram representantes do governo, parceiros e da sociedade civil que nos centros urbanos a taxa de seroprevalência nos jovens de ambos os sexos é de 10,1 por cento, enquanto na zona rural é de 6,4 por cento, o que inspira a necessidade de esmiuçar novas estratégias de comunicação para a disseminação de mensagens de prevenção, nomeadamente, acabar com os parceiros múltiplos.

Dados do mapeamento dos intervenientes na resposta provincial ao HIV e SIDA na Zambézia durante o ano passado indicam a incidência da doença nas crianças entre zero e 11 anos é de 1,4 por cento e os que tem menos de um ano é de 2,3 por cento.

O INSIDA diz que no geral a taxa de prevalência na província da Zambézia é de 12,6 por cento, mas a preocupação neste momento é de novas infecções nos centros urbanos em que a população mais afectada são mulheres jovens, facto que se deve atribuir a múltiplos parceiros daquela faixa etária devido à satisfação de necessidades exteriores como por exemplo a moda.

Para dar resposta ao crescimento da doença o tratamento anti-retroviral foi expandido para seis unidades sanitárias nos Postos Administrativos, elevando deste modo para vinte e oito o número de unidades hospitalares com aqueles serviços.

Dos 4128 pacientes adultos planificados para o tratamento anti-retroviral foram introduzidos 5923.

Apesar deste número, o relatório do desempenho do NPCS foi alvo de críticas devido ao facto de não indicar o plano de actividades, as executadas e não executadas bem como as razões que estiveram por detrás do incumprimento.

Entretanto, o governador da Zambézia, Francisco Itae Meque, reprovou o relatório e recomendou ao NPCS para dentro de noventa dias reelaborar o documento para uma nova reunião.

Colesterol envolvido na doença de Alzheimer

Na doença de Alzheimer, ocorre a acumulação no cérebro de uma proteína que destrói os neurónios e degenera progressivamente as funções corporais em geral.

Para sua surpresa, uma equipa de cientistas descobriu agora que o colesterol tem um papel importante na produção desta proteína - a beta-amilóide -, o que o torna um possível alvo para travar o desenvolvimento desta doença.

A descoberta é publicada nesta sexta-feira, revista Science, pela equipa que revelou a estrutura tridimensional de uma proteína que vai dar origem à beta-amilóide.

Não se conhecem as causas exactas da doença de Alzheimer, caracterizada por perda de memória, desorientação, depressão e deterioração das funções corporais.

Só depois da morte de um doente de Alzheimer é que se comprova a doença, através da análise de amostras do cérebro, para verificar a presença de placas de beta-amilóide.

Numa situação normal, a proteína beta-amilóide é degradada continuamente, mas certas variações genéticas podem alterar esta dinâmica.

“Qualquer coisa que diminua a produção da beta-amilóide pode ajudar a prevenir, ou tratar, a doença de Alzheimer”, defende um dos autores do estudo, Charles Sanders, da Universidade de Vanderbilt, em Nashville (Estados Unidos), citado num comunicado.

A equipa de Sanders analisou a proteína precursora da beta-amilóide (APP, a sigla em inglês).

Em apenas dois passos (provocados por enzimas diferentes), a APP transforma-se primeiro na proteína C99, e depois na beta-amilóide.

Os cientistas revelaram agora como é a estrutura tridimensional da proteína C99, que está parcialmente imersa na membrana celular dos neurónios.

Ao estudarem a C99, perceberam que havia um local nela onde o colesterol se ligava.

“Há muito tempo que se pensa que, de alguma forma, o colesterol promove a doença de Alzheimer, mas os mecanismos não eram claros”, disse Sanders.

“A ligação do colesterol à C99 talvez seja uma das maneiras de tornar a doença mais provável.” A membrana celular é uma estrutura muito dinâmica.

É constituída, na sua base, por duas camadas de moléculas de gordura que compõem o invólucro que dá forma às células.

O que a equipa propõe é que o colesterol, ao ligar-se à proteína C99, permite que ela se desloque pela membrana celular e se dirija para regiões específicas das células se concentram muitas outras moléculas.

E é aqui que existem as enzimas que, por sua vez, transformam essa proteína na beta-amilóide, que se acumula nas regiões do cérebro que controlam a memória e a aprendizagem, o que leva ao aparecimento da doença de Alzheimer.

A equipa pensa que, quando a C99 não tem colesterol à volta, ela fica em qualquer sítio da membrana celular.

“Se pudéssemos desenvolver um fármaco que impedisse esta ligação, seria possível travar a proteína de ir para estes domínios”, refere Sanders.

“Em vez disso, a proteína seria clivada [cortada] por uma boa enzima e não produziria a beta-amilóide.”

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