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Moçambicanos sem hábitos de leitura


Escola Secundaria Josina Machel, Maputo

Escola Secundaria Josina Machel, Maputo

Lara Viana, 16 anos, aluna da décima primeira classe, e Mirela de Amélia, também 16 anos, e igualmente aluna da décima primeira classe, não gostam de ler. Preferem ver telenovelas.

Lara Viana, 16 anos, aluna da décima primeira classe, e Mirela de Amélia, também 16 anos, e igualmente aluna da décima primeira classe. Não gostam de ler. Preferem ver telenovelas.

Frederico Jamisse, 36 anos.É jornalista. Editor da página cultural do Domingo, um dos principais semanários do país.

Jamisse diz que não consegue viver sem ler. Lê tudo e sempre que pode, mas sabe que, neste país, nem todos são como ele. Há muitos que, apesar de terem condições, preferem fazer outras coisas com o dinheiro.

Mia Couto.Um escritor famoso.Nasceu na cidade central moçambicana da Beira.55 anos, pai de três filhos.Começou a publicar aos 14 anos de idade.

Já foi jornalista. Tem 26 títulos publicados. Já vendeu cerca de um mihão de livros, em todo o mundo.É o escritor mocambicano que mais vendeu, além fronteiras.Já ganhou vários prémios nacionais e internacionais.

Mia Couto diz que é frustrante ver o que acontece hoje mas, para ele, o problema da falta de gosto pela leitura não é apenas um problema, em Moçambique.

Tavares Belarmino tem apenas 20 anos, mas já ocupa um cargo importante. É gerente da Minerva Central, a livraria mais antiga do país.

Fundada há mais de cem anos, é também uma das mais conceituadas de Moçambique.

Vende todo o tipo de livros. Mas, os mais procurados, segundo Tavares, são os utilizados pelos estudantes e professores do ensino superior.

Tavares reconhece que o livro está caro, mas socorre-se dos custos de produção e do frete que se paga na sua importação para justificar o preço praticado pelas livrarias.

O livro é caro, mas para algumas pessoas esse não pode ser um argumento válido para explicar as razões do fraco hábito que existe em ler, por parte da maioria dos moçambicanos.

É, por exemplo, o que pensa o livreiro Tavares Belarmino e o escritor Mia Couto.

E para os nossos entrevistados, é preciso fazer algo, para mudar este cenário.

É preciso criar incentivos para que as pessoas percebam a importância e tenham vontade de ler. E uma das soluções encontradas para popularizar o livro têm sido as feiras.

Feiras do livro que têm sido promovidas e têm acontecido regularmente, especialmente na capital do país.

Neste momento há uma que está a acontecer, sendo organizada pela Minerva Central, que diz estar a vender mais agora. Quando há feiras, conseguem vender acima de 2000 livros, segundo Belarmino Tavares, o gerente daquela livraria. Mas não são apenas feiras. Há outras soluções que estão a ser ensaiadas para cativar os potenciais leitores.

Um livreiro, um escritor, um jornalista e alguns estudantes entrevistados pela Voz da América a falarem nesta reportagem sobre o problema da falta de gosto, do hábito de ler, que é fraco, em Moçambique, um país com mais de 22 milhões de habitantes e onde a grande maioria é ainda pouco instruída e muito pobre.

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