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Cimeira da Diáspora Africana em Joanesburgo


Vista do centro de Joanesburgo

Vista do centro de Joanesburgo

A cidade de Joanesburgo vai albergar de 23 a 25 de Maio a primeira Cimeira da Diáspora Africana levando proeminentes africanos no estrangeiro a contactar com líderes do continente para discutirem formas de aproveitar os seus conhecimentos para o desenvolvimento africano.

Cimeira da Diáspora Africana em Joanesburgo

A cidade de Joanesburgo vai albergar de 23 a 25 de Maio a primeira Cimeira da Diáspora Africana levando proeminentes africanos no estrangeiro a contactar com líderes do continente para discutirem formas de aproveitar os seus conhecimentos para o desenvolvimento africano.

Há quatro anos atrás, a cidade de Joanesburgo foi o ponto de partida para uma onda de violência xenófoba que causou a morte a mais de 60 emigrantes africanos, ferimentos em centenas de outros e a deslocação de milhares de outros de suas casas.

Analistas disseram que a hostilidade para com os emigrantes africanos deveu-se a muitas causas, incluindo uma intensa competição por empregos e alojamento em áreas empobrecidas.

O emigrante nigeriano Jude Umennaka, defronte do Hotel Radium, na “baixa” de Joanesburgo, disse que, pelo menos não ficou ferido, mas perdeu o seu emprego. Quatro anos mais tarde pensa que as coisas estão a melhorar aos poucos:

“O governo está a fazer o seu melhor. Existe uma série de campanhas de advertência para com essas pessoas. E tudo que diga respeito a incitar actos de xenofobia actualmente é uma ofensa pesadamente punida.”

A maioria dos emigrantes africanos na África do Sul chegou depois do fim do apartheid, nos anos 90. A maioria deles foi à procura de emprego ou fugiu do seu país devido à guerra. Hoje cerca de cinco milhões de emigrantes africanos vivem na África do Sul.

Muitos pensam que acabarão por ser aceites e compreendidos num país que ultrapassou uma legalizada brutal discriminação racial. Mas Aurélia Segatti, investigadora no Centro para as Migrações e Sociedade em Joanesburgo, afirmou que a hostilidade não é uma surpresa num país com o legado da África do Sul:

“Temos de compreender que se trata de um país que passou por tempos extremamente difíceis e que os desafios socioeconómicos ainda persistem. As disparidades económicas aumentaram desde os anos 90. Para a parte mais pobre da população, os estrangeiros, que acontece serem africanos, são o bode expiatório para responsabilizar por uma cada vez mais crescente frustração socioeconómica.”

Em Yeoville, o chamado bairro suburbano de emigrantes de Joanesburgo – congoleses, costa-marfinenses, zimbabueanos e nigerianos ocupam a maioria das casas. De facto, emigrantes de mais de 30 países africanos vivem lá.

O Fórum da Diáspora Africana, uma plataforma criada em 2008, depois dos ataques xenófobos, organiza a comemoração anual dos ataques xenófobos e coordena as acções de representantes de diferentes comunidades de emigrantes.

Na sequência dos ataques de 2008, centenas de pessoas foram presas e mais de 100 condenadas por violência xenófoba. Mas os preconceitos e muitas das causas da violência persistem.

Mas apesar disso, e a dificuldade do processo de imigração, a África do Sul continua a ser o principal destino dos africanos à procura de uma vida melhor.

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