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"A minha demissão é inconstitucional" - Raimundo Pereira em Lisboa


"Nunca me demiti" - Raimundo Pereira

"Nunca me demiti" - Raimundo Pereira

Portugal apresenta projecto de resolução na ONU exigindo recondução do poder "legítimo"

O primeiro-ministro derrubado do governo da Guiné Bissau, Carlos Gomes Júnior disse estar disposto a regressar ao país para ajudar na resolução da crise causada pelo recente golpe de estado.

Gomes Júnior falava em Lisboa onde na companhia do presidente interino, Raimundo Pereira, também afastado pelos militares, reuniu-se com dirigentes políticos portugueses tendo este afirmado nunca se ter demitido do cargo pelo que a sua substituição no poder é ilegal.

Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior reuniram-se primeiro com o presidente Cavaco Silva.

Segundo Raimundo Pereira durante o encontro discutiram se “os meios e a forma de trabalhar para que se possa chegar mais rapidamente à legalidade constitucional".

Não foram dados pormenores concretos dessas discussões.


Acompanhado do primeiro-ministro deposto, Carlos Gomes Júnior, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Djaló Pires, e o embaixador da Guiné-Bissau em Portugal, Fali Embaló, Raimundo Pereira disse ter-se deslocado ao Palácio de Belém para agradecer "o apoio que a CPLP e em particular Portugal têm dado" desde que começou a crise na Guiné-Bissau.

Mais tarde os dois dirigentes depostos reuniram se também com o primeiro ministro Pedro Passos Coelho figura que na prática terá mais influencia sobre o que a diplomacia portuguesa vai fazer face ao golpe de estado.

Uma das questões que terá sido sem dúvida discutida é um projecto de resolução enviado ao Conselho de Segurança da ONU por Portugal e pelo Togo.

A agência de notícias portuguesa Lusa disse que esse projecto impõe sanções aos autores do golpe de Estado de 12 de Abril e exige o restabelecimento das autoridades legítimas e conclusão do processo eleitoral interrompido.

Citado pela Lusa o projecto exige que o Comando Militar que realizou o golpe tome "medidas imediatas" para a "reposição da ordem constitucional", através da "libertação das autoridades ainda detidas" e "restabelecimento das autoridades legítimas" do país.

Estas medidas incluem ainda "assegurar que todos os soldados regressem aos quartéis, abrindo caminho à conclusão do processo eleitoral.

Esse projecto tem ainda que ser negociado pelos 15 países membros do conselho de segurança.

Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior tambem se reuniram em Lisboa com representantes da um da Comunidade de Países de Lingua Portuguesa, CPLP.

Nesse encontro Raimundo Pereira disse que "em nenhum momento”, renunciou ao cargo de chefe de Estado.

Raimundo Pereira leu uma comunicação aos representantes da CPLP reunidos na sede da organização, em Lisboa, na qual sublinhou que “a nomeação de qualquer outro Presidente da República é inconstitucional e não tem qualquer legitimidade jurídica”.

Por seu turno à sua chegada à sede da CPLP Carlos Gomes Júnior disse que "está pronto" para voltar ao país e "continuar a trabalhar para o bem da Guiné", que é o "dever de qualquer guineense".

Várias centenas de guineense tinham se aglomerado em frente para saudar os líderes depostos


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