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Presidente do Uganda toma posse depois de eleições contestadas pela oposição


Presidente Ioweri Museveni durante a cerimônia de tomada de posse

Presidente Ioweri Museveni durante a cerimônia de tomada de posse

Ioweri Museveni está no poder há 25 anos e ultimamente é acusado de autoritarismo e desrespeito aos direitos humanos

No Uganda o presidente cessante Ioweri Museveni voltou hoje a tomar posse para um mandato de quatro anos.

Trata-se do quarto mandato em quase 30 anos de poder, deste que é agora acusado de autoritarismo e de não respeitar os direitos humanos.

O presidente Ioweri Museveni faz parte da antiga geração de políticos do seu país que pegaram em armas para combater a ditadura do então presidente Idi Amin e mais tarde de Milton Obote. O seu passado de rebelde valeu-lhe a alcunha de libertador e mais tarde de reformista, quando abraçou a abertura política com a transição para a democracia.

Apesar da boa reputação na subida ao poder, hoje Museveni dá início ao seu quarto mandato como presidente, num regime ultimamente considerado por muitos de autoritário.

Godfrey Odongo é pesquisador da Amnistia Internacional e descreve as mudanças operadas por Museveni quando chegou ao poder na década de 80.

“Quando Museveni chegou ao poder em 1986 ele tinha um plano de 10 pontos. Um dos pilares chaves foi a observância do respeito dos direitos humanos. Na primeira parte do mandato houve avanços e desenvolvimentos consideráveis no que toca aos níveis dos direitos humanos, particularmente na abertura de espaço para um significativo grau de respeito da liberdade de expressão e de pensamento.”

O Uganda floresceu durante os 25 anos da presidência de Museveni tanto no plano económico como humano. De acordo com as Nações Unidas de 1985 a 2010 o país subiu 53 posições no ranking mundial do desenvolvimento humano. Uma estatística que combina com o aumento da esperança de vida, do acesso a educação e a melhoria das condições de vida.

O presidente Museveni é considerado como gestor de um dos maiores casos de sucesso em África na luta contra a Sida. Segundo a Organização Mundial da Saúde, de 1990 a 2009 a percentagem de Ugandeses dos 15 aos 49 anos portadores do HIV ou da Sida caiu de 10,2 para 6,5 por cento.

Mas nem tudo está bem no Uganda actualmente. Desde as eleições de Fevereiro o presidente Museveni tem sido alvo de críticas de que está a suprimir a oposição para consolidar o seu poder. Em Abril, grupos da oposição liderado pelo derrotado candidato presidencial Kizza Besigye iniciaram uma manifestação denominada de “marcha pelo trabalho” destinada a protestar contra a subida do custo de vida e dos combustíveis. Os manifestantes foram reprimidos pela polícia, centenas acabaram presos e feridos e dez deles foram mortos.

Desde então começaram a surgir criticas das organizações dos direitos humanos e de observadores internacionais pela maneira como o governo tem agido contra a oposição. O opositor e líder Kizza Besigye foi várias vezes preso, espancado e ferido pela polícia, o que lhe impôs o tratamento durante uma semana num hospital do Quénia.

Mas o presidente Ioweri Museveni que várias vezes acusou Besigye de provocação à polícia, tem uma perspectiva diferente sobre os protestos.

“Eu sou pela democracia, mas a minha democracia é a democracia da disciplina.”

A Transparência Internacional na sua avaliação de percepção sobre os índices de corrupção de 2006 colocou o Uganda na centésima quinta posição com a pontuação de 2.7 num universo de 10 valores. Em 2010 esses valores caíram para 2.5 e o país passou a ocupar a centésima vigésima sétima posição.

Uma organização regional qualificou a polícia ugandesa como uma das 10 instituições mais corruptas da África Oriental.

A Organização Repórteres sem Fronteiras, criticou igualmente o Uganda pela sua política no que toca a protecção de liberdade de expressão. O país caiu de 52 para 96 do Índex Mundial de Liberdade de Imprensa.

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