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ONU receia aumento de tráfico de droga na Guiné-Bissau


Embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Viotti

Embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Viotti

Conselho de Segurança da ONU exige "tolerância zero" com golpistas e receia aumento do tráfico de narcóticos por causa do golpe militar

O Conselho de Segurança da ONU manifestou "profunda preocupação com um possível aumento no tráfico de drogas, como resultado da instabilidade actual" na Guiné-Bissau.

Numa declaração divulgada terça-feira em Nova Iorque, aquele orgão da ONU deixa, ainda, um "recado" à CEDEAO que, na semana passada remetara para o parlamento guineense - presentemente sob a alçada dos golpistas - a solução para a crise do país.

O Conselho reuniu-se, segunda-feira, para analisar a situação na Guiné-Bissau. Agradeceu os esforços de mediaçºao da Comunidade de Estados da África Ocidental (CEDEAO) fez eco da posição assumida pela CPLP exigindo a reposição da ordem constitucional naquele país.

Na declaração a ONU "exortou" a CEDEAO a "em cooerdenação com a ONU, União Africana e CPLP prosseguir os seus esforços para aplicar a sua política de 'tolerância zero' contra a tomada inconstitucional do poder na Guiné-Bissau e a restauração da ordem constuticional".

Na sua intervenção perante o Conselho de Segurança, a presidente do grupo de contacto para a Guiné-Bissau, a embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti, afirmou que o primeiro passo para a reconciliação nacional deve ser "o respeito pelo primado da lei e a restauração da ordem constitucional".

"Acreditamos, disse Viotti, que “a unidade de todos os parceiros internacionais contribuirá para o recomeço do processo democrático e para convencer os autores do golpe de estado a retrocederem permitindo a restauração do poder civil”.

Deu como exemplo da eficácia das pressões internacionais a recente libertação do presidente interino Raimundo Pereira e do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior que “constituiu um importante passo para a reposição da legalidade”.

Contudo, na realidade, as posições assumidas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, CEDEAO, e pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, continuam a divergir.

A mediação da crise pela CEDEAO foi comprometida pela sua decisão de não insistir no retorno à ordem constitucional vigente antes do golpe e de remeter para a Assembleia Nacional da Guiné-Bissau a busca de uma solução para a crise.

Na sua reunião do fim-de-semana passado, a CPLP distanciou-se daquela postura e pediu ao Conselho de Segurança da ONU sanções contra os responsáveis pelo golpe de estado e os civis que os apoiam, denunciando qualquer solução que desrespeite a Constituição guineense.

Segunda-feira, em conferência de imprensa, o partido no poder, PAIGC saudou a posição da CPLP e exigiu que "Conselho de Segurança das Nações Unidas reafirmasse as posições (...) segundo as quais se exigia a libertação incondicional das pessoas detidas, a conclusão do processo eleitoral e sobretudo a necessidade do envio de uma força de estabilização para a Guiné-Bissau para se evitar a recorrência frequente do fenómeno de golpes de estado".

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