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Jovens nigerianas traficadas para prostituição na Itália

  • Jill Craig

O caso do escândalo sexual da marroquina Ruby, envolvendo o antigo primeiro-ministro Silvio Berlusconi pode ser uma das perspectivas de ilustração da prostituição na Itália de imigrantes africanos

O caso do escândalo sexual da marroquina Ruby, envolvendo o antigo primeiro-ministro Silvio Berlusconi pode ser uma das perspectivas de ilustração da prostituição na Itália de imigrantes africanos

Trata-se de um negócio lucrativo com uma rede a funcionar desde os anos de 1980

Nigerianas forçadas a prostituir-se na Itália

As Nações Unidas estimam que entre 8 a 10 mil mulheres e jovens são forçadas a prostituir-se nas ruas todos os anos na Itália, sendo as nigerianas o maior grupo nessa actividade.

Tem sido difícil para essas mulheres e jovens escaparem-se da rede de prostituição que envolve entre outras a violência e ameaças, inclusive de magia negra, e também de intimidações contra os familiares na Nigéria.

No ano de 2007, Cheryl de 23 anos trabalhava num hospital no sul da Nigéria. Um irmão de uma das pacientes disse-lhe então que poderia ganhar mais dinheiro num hospital na Europa se ela aceitasse a proposta de ir viver com ele. A sua chegada na Itália, Cherly se apercebeu logo que tinha sido arrastada para a prostituição.

“Era muito perigoso. No primeiro dia que saí a noite, três homens atacaram-me. Bateram-me. Quando disseram que queriam dormir comigo, os três ao mesmo tempo, eu disse que não. Propuseram-me dinheiro e recusei. Entramos em discussões e mais discussões até que começaram a bater-me. E bateram-me sem compaixão. Acabei por ser socorrida por outras das meninas que se encontravam do outro lado da rua.”

O tráfico de mulheres nigerianas para a prostituição na Itália começou na década de 1980. De acordo com Vittoria Luda di Cortemiglia, coordenadora de um programa do Instituto de Justiça e Crime das Nações Unidas, os traficantes nigerianos preferem a Itália por causa de uma rede de conexões que existe há varios anos.

“Muitos dos cidadãos nigerianos na realidade, vivem no país, e esta é também a razão pela qual os contactos entre os dois países serem ainda muito, muito fortes.”

O tráfico nigeriano acaba por ser peculiar devido ao uso do chamado juju, ou seja da magia negra, que consolida o acordo entre a vítima e o traficante. Antes de partirem da Nigéria, as jovens são submetidas a um ritual no qual juram pagar a juros os seus “tutores” pela viagem à Europa.

Helen tinha 23 anos e era dedicada ao artesanato quando aceitou partir para a Europa. Ela descreve o ritual pelo que passou.

“Eles cortaram-me as unhas das mãos, os pelos dos sovacos, os cabelos e pediram pelos pensos higiénicos usados. Receberam tudo isso e depois mataram um galo que tive que comer o coração cru. É este o juramento.”

O ritual cria assim a dependência, para além de ameaças veladas contra os familiares das jovens no caso de pretenderem um dia abandonar e rede. Muitas acreditam no juju e por isso ficam terrificadas com a ideia de uma eventual fuga.

Quanto aos pagamentos ou seja as dívidas, elas são avultadas. A maioria das traficadas não analfabetas e sem instruções em matéria contabilidade e aceitam pagar entre 40 a 78 mil dólares aos tutores.

Helen disse que a sua tutora exigiu-lhe que lhe trouxesse no prazo de 10 dias a quantia de 1300 dólares. Adianta por isso que as jovens são obrigadas a terem uma média de 10 parceiros por dia de forma a assegurarem a quota exigida.

Rosanna Paradiso a presidente de uma organização contra o tráfico, com sede em Turin disse que muitas das prostitutas nigerianas reclamam que há clientes que preferem manter as relações sexuais sem protecção aumentando os riscos de contracção de doenças sexualmente transmissíveis.

“A respeito dos clientes, espacialmente dos italianos, neste caso, elas disseram-nos que a maioria deles exige relações sexuais sem preservativo, sem nenhuma protecção. E este é um dos grandes problemas.”

Rosanna Paradiso diz que um dos principais objectivos da sua organização tem sido por isso ajudar as prostitutas a protegerem-se do HIV-Sida e das doenças sexualmente transmissíveis.

Além das doenças, existem também outras preocupações apontadas por Vittoria Luda de Cortemiglia, que são as condições de trabalham em se submetem durante esta actividade como por exemplo terem que vestir roupas curtas, não terem dinheiro à mão e nem serem portadoras dos respectivos passaportes.

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